A demanda global de óleo poderá ser de cerca de 90 milhões de barris/dia, patamar inferior ao registrado no ano passado. A análise do sócio e responsável pela área de energia do Boston Consulting Group (BCG), Iván Martén, vai na contramão das expectativas da Opep e da International Energy Agency (IEA), que esperam uma demanda de cerca de 115 milhões b/d daqui a 20 anos.
A previsão leva em conta os atuais investimentos em eficiência energética na indústria automobilística, que devem fazer com que a economia de combustível em carros e caminhões cresça, em média, 2,5% por ano nas próximas duas décadas. O consultor também acredita em uma substituição do óleo pelo gás em áreas como transporte, geração de energia e petroquímicos. Atualmente, estes setores correspondem a 70% do consumo de óleo mundial.
O uso de gás é atraente para as frotas de caminhões, pois pode gerar uma economia de 25% nos gastos com combustíveis. No transporte marítimo, a substituição é uma das alternativas para as embarcações entraram em áreas com controle de emissão de poluentes; no transporte rodoviário o consultor também considera para a previsão a crescente adaptação de veículos elétricos, híbridos e de células de combustível. Já no setor petroquímico, a utilização de etileno baseado em nafta deverá ser priorizada em relação ao etileno baseado em etano, já que a alternativa se tornou mais barata com a crescente produção do shale nos EUA.
Na análise, Martén também prevê que a adoção de limites para emissões de carbono poderá ser um fator determinante na redução da demanda de óleo no longo prazo.