A expectativa de demanda gerada pelos pacotes de investimento em infraestrutura lançados pelo governo federal tem atraído cada vez mais apostas de empresas estrangeiras ao Brasil. É o caso do grupo STS, gigante espanhol no mercado de tubos para óleo, gás e água, que acaba de se instalar no Brasil.
É uma tendência que o mercado mundial de infraestrutura acabe se voltando para a América Latina. Tanto que até 2016, o grupo deverá triplicar o faturamento da matriz, que hoje é de pouco mais de 1,8 bilhão de euros , só com a América Latina, disse ao DCI o diretor da Inside Global, responsável pela operação da STS na América Latina, Edmilson Assis. De acordo com o executivo, entretanto, o Brasil ainda é visto como o maior mercado.
Estamos acreditando no mercado interno, nas obras e nas rodadas de licitações, principalmente com o pré-sal, termos boas oportunidades de negócios, detalhou. Para o professor do mestrado em Gestão Internacional da ESPM, Frederico Turolla, a chegada de novas empresas estrangeiras é uma tendência natural, mas essa movimentação deve seguir um ciclo.
O investimento direto em infraestrutura no Brasil costuma vir em ondas, muitas empresas vêm de uma vez, mas nem todas se mantêm porque o mercado brasileiro é burocrático e complexo, disse. Felizmente, tivemos recentemente uma onda de entrada de empresas nessa área e com a divulgação internacional das concessões de rodovias, ferrovias, aeroportos e portos, muitas empresas estão se preparando para vir, complementa Turolla, que destaca o interesse das chinesas nos processos.
As chinesas são, inclusive, alvo das estratégias da Inside Global. Os chineses são famosos por fornecer produtos de baixa resistência para baratear os custos e pretendemos concorrer com isso oferecendo produtos de melhor qualidade, também a um preço justo, afirmou Assis.
O principal interesse da Inside Global, além das concessões do Plano de Investimento em Logística (PIL) do governo federal, é a Petrobras, que deverá aportar US$ 236,7 bilhões nos próximos cinco anos para expandir a malha de dutos. Mesmo assim, a empresa aposta no crescimento a longo prazo, contando com as melhorias prometidas pelos projetos do governo.
Os investimentos em portos acabam, indiretamente, sendo propícios aos nossos negócios, porque mesmo que a gente não atenda à demanda interna, podemos trazer soluções da nossa matriz do exterior, explicou Assis.
O custo acaba sendo menor, já que a matéria-prima brasileira, como o aço e o carbono, acaba tendo um custo menor no exterior, depois de industrializados, complementou o diretor da Inside Global.
Siderurgia Outro investimento estrangeiro no País é o braço do conglomerado siderúrgico austríaco Voestalpine AG, presente no País há 10 anos, o grupo VAE Brasil. A empresa abriu neste ano a segunda fábrica no Brasil, em Bacabeira (MA), mirando o fornecimento de equipamentos e soluções tecnológicas para empresas vencedoras das concessões ferroviárias, por exemplo.
A primeira unidade já funcionava em São Paulo (SP) desde 2005. A expectativa é de que a nova fábrica atenda a grandes contratos, voltados à construção de novas linhas, como a Transnordestina Logística, a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) de Natal (RN), Maceió (AL), João Pessoa (PB) e Recife (PB), a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico).
Além disso, a empresa aposta na manutenção dos serviços prestados à Vale, com quem tem um contrato desde de 2010, para a duplicação da estrada de ferro de Carajás. Concessões Embora o Brasil esteja atraindo apostadores para o fornecimento de estrutura e tecnologia para os projetos de infraestrutura do governo, especialistas alertam para a baixa adesão de novas empresas diretamente aos leilões.
A infraestrutura brasileira não está atraindo novas empresas para as licitações. Eu não vejo empresas novas, são sempre as mesmas empreiteiras, que estão acostumadas ao Brasil, como a CAF e a Bombardier. Dificilmente vai aparecer uma empresa nova porque é um negócio que depende da compreensão do País e da formação de consórcio, explicou ao DCI o presidente da Macrologística, Renato Pavan.
Agora, porém, há a expectativa da chegada de empresas coreanas e chinesas, além da Siemens e da Alston, completou o especialista. As duas últimas estão envolvidas nas investigações sobre um suposto cartel formado nas licitações do Metrô de São Paulo. Até o início de novembro, o governo deverá começar a publicar os editais de concessão das primeiras ferrovias do País.