O desastre na barragem da Samarco terá impactos financeiros e operacionais sobre a Vale em 2015 e em 2016. Só a redução de 12 milhões de toneladas de minério de ferro que devem deixar de ser produzidas na soma deste e do próximo ano, na mina de Fábrica Nova, da mineradora, em Mariana (MG), afetada parcialmente pela avalanche de lama da Samarco, representa uma perda de receita de mais de US$ 55o milhões. A conta considera o preço de US$ 46,48 por tonelada de finos de minério realizado pela companhia no terceiro trimestre. É preciso considerar ainda que a Vale, como acionista da Samarco, deixará de receber dividendos da empresa que deve ficar paralisada por longo tempo.
De janeiro a setembro deste ano, a Vale recebeu US$ 146 milhões em dividendos da Samarco. O valor equivale a 2,5% do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da Vale no perãodo, de US$ 5,7 bilhões. Em 2014, esse percentual foi de 3,29%. Ainda na parte financeira analistas fizeram contas sobre o impacto da Samarco no Ebitda da acionista em 2015 e 2016. Na soma dos dois anos, pode haver redução no Ebitda da Vale de US$ 300 milhões, sendo quase US$ 70 milhões este ano e US$ 200 milhões em 2016.
Os cálculos consideram um volume de produção de minério de ferro da Vale de 34o milhões de toneladas em 2015 e algo semelhante em 2016. Há dúvidas se esses volumes podem sofrer alteração por força da Samarco. Ocorre que o rompimento das barragens da empresa destruiu parte das correias que faziam o transporte de minério de ferro desde a mina de Fábrica Nova até a usina de beneficiamento de Timbopeba, no complexo minerador de Mariana, situado no sistema sudeste de produção da Vale. Assim, a empresa previu redução na produção de 3 milhões de toneladas em 2015 e de 9 milhões de toneladas em 2016, total de 12 milhões em dois anos.
O volume de três milhões de toneladas representa quase 1% da produção prevista pela Vale para este ano. O percentual equivale a menos US$ 70 milhões em um Ebitda de mais de US$ 7 bilhões previsto para a Vale. Já em 2016, o estrago será maior: a redução de nove milhões de toneladas representa 2,6% sobre o piso da meta de produção de 34o milhões de toneladas do ano que vem. Assim, haveria uma perda de US$ 212 milhões em um Ebitda de cerca de US$ 8,5 bilhões projetado por analistas para a Vale em 2016.
A Vale deixou claro que no atual ambiente de preços do minério de ferro está mais preocupada em garantir margens do que volumes de produção. A empresa já havia anunciado a parada de algumas linhas menos rentáveis em Minas Gerais as quais estão sendo substituídas por jazidas mais competitivas. Em sua página