O mercado de descomissionamento de plataformas offshore no Brasil tem potencial para atrair investimentos da ordem de R$ 50 bilhões entre 2020 e 2040, estima Raphael Neves Moura, superintendente de segurança operacional e meio ambiente, da ANP.
“Com cerca de 100 plataformas e 1000 poços a serem abandonados nos próximos anos, nós temos a possibilidade de investimentos de R$ 50 bilhões. Esse é um número conservador. Há excelentes oportunidades de negócios, de geração de empregos que não podemos deixar passar”, ressaltou Moura, durante evento da FGV Energia, nesta segunda-feira (5/8).
Moura lembrou que a resolução 27/2006 da ANP, que trata da atividade de descomissionamento, em avaliação pela agência, Ibama e Marinha, buscará criar melhores condições e segurança para o segmento. Prevista para ser publicada no final de outubro, a nova resolução estabelecerá que os projetos sejam apresentados pelas operadoras ao Ibama e à ANP cinco anos antes de seu início de execução.
Para Eduardo Zacaron, gerente de descomissionamento da Petrobras, o prazo concedido às operadoras para definir as possibilidades de utilização das instalações é fundamental, mas outros pontos precisam ser discutidos.
“Os cinco anos de antecedência sem dúvida são um grande avanço, mas ainda podem haver outras questões a serem avaliadas como, por exemplo, o processo de cessão dos direitos. Quanto tempo vamos aguardar para definir a cessão? Em quais cenários a cessão de direitos é viável ou não? É importante analisar essas questões para que a gente tenha tempo de pensar outras alternativas”, enfatizou Zacaron.
A constituição de uma reserva financeira voltada para o descomissionamento, desde o início do planejamento do projeto de exploração, foi uma das iniciativas destacadas por Fernanda Delgado, coordenadora de pesquisa da FGV Energia.
“É importante que essa reserva financeira caminhe junto com o projeto de exploração e produção. No Mar do Norte já se tem recursos contingenciados para o descomissionamento no início da produção dos projetos, justamente para que, ao chegar ao final da vida útil, quando for estender a produção ou vender o campo maduro, como fará a Petrobras em alguns casos, não tenhamos a inviabilidade desse processo”, concluiu Delgado.
Projetos em vista
Hoje, mais de 60 plataformas no Brasil têm mais de 25 anos, o que implicará uma demanda crescente por serviços de descomissionamento. O destravamento da atividade depende, porém, da publicação da nova regulamentação.
Além das três plataformas fixas de Cação, a Petrobras tem sete projetos de descomissionamento em fase avançada de detalhamento: os FPSOs Cidade de Rio das Ostras, Cidade do Rio de Janeiro, Piranema e P-XXXIII e as semissubmersíveis P-VII, P-XII e P-XV.
Entre outras unidades que devem ser descomissionadas nos próximos anos estão a P-18, P-19, P-20, P-26, P-32, P-35, P-37 e P-47 (no âmbito do projeto de revitalização de Marlim), além do FPSO Capixaba e alguns sistemas de produção no Nordeste.
Fonte: Revista Brasil Energia