Setores do mercado receberam positivamente o novo plano desinvestimento da Petrobras, que pretende vender US$ 19,5 bilhões em ativos entre 2018 e 2019 para financiar os novos investimentos. Contudo, há quem acredite que a medida pode não ser suficiente e setores que discordam com a estratégia de reduzir o tamanho da Petrobras.
A agência de classificação de risco Fitch reiterou a posição de alguns meses atrás, quando afirmou que a queda significativa no endividamento da companhia continuaria dependendo dos desinvestimentos e que a empresa permanecerá altamente alavancada.
“A companhia continuará dependendo de seu acesso aos mercados de dívida para refinanciar os próximos vencimentos de principal, na ausência de desinvestimentos”, afirmou a Fitch.
Assim como a Fitch, boa parte do mercado recebeu o novo PN sem grandes surpresas. De acordo com Kjetil Solbraekke, vice-presidente sênior para a América do Sul da Rystad Energy, os objetivos anunciados já eram esperados e refletem a nova realidade da Petrobras.
“A empresa está buscando onde colocar dinheiro para criar receitas e agora está em um bom caminho, com foco em boa gestão, execução de projetos e redução de custos”, afirmou o analista.
Eloi Fernández, diretor geral da Onip, também afirmou que os desinvestimentos, além de esperados, são positivos, porque abrem novas oportunidades de negócios que não envolverão a Petrobras.
“Consideramos o plano desafiador, mas louvamos o retorno à apresentação de planos realistas, fundamental para a recuperação da credibilidade. Novas oportunidades serão abertas ao setor privado”, afirmou Fernández.
Apesar do otimismo por parte do mercado, algumas instituições afirmam que a venda de ativos prejudicará a imagem da Petrobras como empresa integrada de energia, mesmo que a petroleira venha repetindo reiteradamente que não vai abandonar os negócios integrados.
“É natural que uma empresa ajuste seus investimentos à sua realidade financeira e ao cenário global, mas o que a diretoria da Petrobras propõe agora é destruir a cadeia de valor. Não há petroleira que se sustente sem ter a capacidade de comercializar do poço ao posto o que produz”, afirmou Pedro Celestino, presidente do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro.
Sindicatos
Nesta quinta-feira (22/9), os funcionários da companhia realizaram assembleias para decidir se entram em greve, como protesto ao acordo de trabalho coletivo proposto pela companhia e à venda de ativos que, segundo eles, diminuirá a geração de empregos.
“Vários ativos estão sendo vendidos no valor abaixo do que foi avaliado. Isso faz parte do pacote de maldades contra a empresa”, afirmou Deyvid Bacelar coordenador do Sindipetro Bahia.
O sindicalista, que é ex-conselheiro da empresa, afirma ainda que a Petrobras “vem enviando cartas aos trabalhadores como se fosse uma velha amiga”, enquanto nas negociações “congela salários, diminui valor de pagamento de hora extra, lança PIDV indiscriminado, vende ativos e entrega o pré-sal”.
Além da venda de ativos nas áreas de E&P e Gás e Energia, a Petrobras anunciou que vai sair das áreas de produção de biocombustíveis, distribuição de GLP, produção de fertilizantes e das participações em petroquímica.