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Clippings - 04/05/20

Devido à pandemia, ainda não há expectativa sobre a próxima temporada de cruzeiros

O setor de cruzeiros sofreu um impacto direto e imediato da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). No Brasil, logo no início do surto, em 13 de março, o Ministério da Saúde proibiu a circulação de novos navios de passageiros na costa brasileira, cancelando a chegada dos cruzeiros restantes da Temporada 2019-2020. Diante da incerteza sobre os rumos da crise, ainda não há expectativa para a próxima temporada de cruzeiros no país.

De acordo com a análise feita pela Agência Porto, todos os movimentos dos armadores estão voltados para a solução dos casos de coronavírus dos navios na costa brasileira. Além disso, por se tratar de uma pandemia, praticamente todos os mercados foram impactados. Assim, não há como realizar qualquer ação de curto prazo de remanejamento de navios e rotas para países mais aquecidos no setor de cruzeiros marítimos.

Portanto, a agência afirmou que para a retomada o setor terá que enfrentar grandes dificuldades. Além do risco sanitário existe ainda o fator econômico que preocupa o mercado de cruzeiros. Isso porque grande parte das empresas adiantou as férias de seus colaboradores, o que não permitirá a esse público a realização de viagens no segundo semestre de 2020 e primeiro semestre de 2021, período da próxima temporada.

Apesar das incertezas, segundo informou a agência, a Temporada 2020-2021 já começou a ser vendida, porém, a previsão é de que ocorram muitos cancelamentos. A redução drástica nas viagens também será efeito da queda do PIB e do preço recorde do dólar, bem como do desemprego a níveis elevados, queda do consumo, na produção e na provável recessão que o país deve enfrentar. É importante destacar que o setor de cruzeiros está ligado ao preço do dólar. Com este a um valor muito elevado (custando mais de R$ 5,00), todas as previsões de equilíbrios de contratos estarão prejudicados em médio prazo.

Os mais afetados com a paralisação desse mercado, de acordo com a agência, são os terminais de cruzeiros no país. Tanto no Porto de Santos quanto de Salvador, devido às medidas restritas, foram dez escalas cancelas da última temporada. Com a não realização de embarques e desembarques, os terminais ficam sem sua principal fonte de recurso. Até mesmo a cadeia de financiamento acessória está comprometida. Trata-se da receita proveniente dos estacionamentos, da locação de espaços comerciais, eventos, entre outros serviços que também foram impactados.

Diante desse quadro, a agência defende que algumas medidas sejam tomadas para evitar prejuízos ainda maiores. Com a crise, os terminais ficam impossibilitados de cumprir com suas obrigações contratuais e tarifas às Autoridades Portuárias. Assim, a agência entende que deva ser discutida de imediato a suspensão dos pagamentos de outorgas, remunerações contratuais e tarifas as Autoridades.

O passo seguinte seria uma análise completa dos desequilíbrios contratuais gerados aos contratos de arrendamento. Outro ponto que merece ser revisto são as obrigações contratuais de investimentos dos terminais. “Há de se reavaliar, visto que os investimentos têm o objetivo de aumento da capacidade e conforto dos passageiros visando crescimento ano a ano da movimentação de passageiros”, explicou a agência.

A Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Abremar – CLIA Brasil), afirmou que neste momento está em alinhamento com a CLIA Global sobre o impacto da pandemia no setor e as possíveis medidas. A ideia é ter todos os novos protocolos e números do setor definidos junto com a associação internacional, para então divulgar ao público. A divulgação deve acontecer daqui a um mês.

Fonte: Portos e Navios