Com medo de que empreiteiras envolvidas na Operação LavaJato fiquem sem recursos para investir
nos aeroportos, Dilma orientou os bancos públicos a não restringir o crédito às empresas.
BRASÍLIA
O governo teme que os impactos dos escândalos da Operação LavaJato prejudiquem investimentos nos
aeroportos privatizados, diante das dificuldades das empreiteiras citadas que são sócias nos consórcios
para obter crédito.
Para evitar a paralisação das obras, segundo fonte do governo, a presidente Dilma Rousseff orientou os bancos públicos, especialmente o BNDES, a não adotarem restrições. A determinação é que continuem liberando a esses concessionários os recursos referentes aos empréstimosponte e de longo prazo para esses empreendimentos.
O argumento usado no governo para manter os repasses é que são as pessoas físicas que estão sendo investigadas, e não as empresas que montaram sociedades para investir nos aeroportos.
A orientação, repassada pelo Palácio do Planalto, tem o objetivo de evitar que a Infraero seja obrigada
a assumir sozinha as obras, em caso de paralisação dos investimentos por parte do sócio privado. A
estatal, que tem participação de 49% nas concessões, registra prejuízo e necessita de aportes do Tesouro
Nacional.
— A ideia é criar mecanismos que permitam aos agentes financeiros manterem as liberações a fim de
não parar as obras nos aeroportos. Caso contrário, o poder público tem que assumir — disse a fonte.
EMPRESAS DIZEM CUMPRIR CRONOGRAMA
O aeroporto de Viracopos (Campinas), administrado por UTC, Triunfo e a francesa Egis, é o que mais
preocupa porque as obras previstas para a Copa ainda não foram entregues integralmente. De acordo com
a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), falta concluir o terminal de passageiros e as obras de pátio.
O operador entregou apenas a parte internacional (Píer A). Em Brasília, há pendências de acabamento, como forro das áreas de desembarque e controle de acesso ao embarque. Em Guarulhos, o terceiro terminal de passageiros já foi concluído, mas a retirada dos obstáculos e o nivelamento da pista ainda estão pendentes. A segunda fase do cronograma contempla reformas para modernizar os outros dois terminais.
A OAS, que faz parte do consórcio que administra Guarulhos, também tem vários executivos presos e
sua nota de crédito foi rebaixada por agências de classificação de risco nos últimos dias. Com dois calotes seguidos em apenas três dias, a empreiteira OAS já deixou de pagar R$ 117,8 milhões a investidores no Brasil e no exterior. Neste caso, o governo conta com a solidez dos fundos de pensão (Previ, Funcef e Petros) que integram o consórcio com a Invepar para superar o problema.
As autoridades do setor esperam que os sócios privados encontrem uma solução e, se for o caso,
negociem a venda da fatia das empreiteiras envolvidas em irregularidades a outros investidores. Além desses concessionários, há temor em relação ao Galeão, que tem a Odebrecht no consórcio, e a Confins
(Belo Horizonte), consórcio formado com a Camargo Corrêa, embora com menor grau de envolvimento
dessas empreiteiras.
O BNDES está em fase de análise dos empréstimos ponte aos concessionários de Confins e Galeão. A
assessoria do banco disse que não comentaria a orientação do governo em relação à liberação de
empréstimos, mas destacou que o banco tem garantia e que o fluxo de financiamentos está dentro da
normalidade.
A assessoria do concessionário de Viracopos disse que não se manifestaria. A concessionária de
Guarulhos informou, em nota, que cumpre o cronograma de obras. “A Invepar segue em absoluta
normalidade na condução de seus negócios”, reforçou a assessoria de imprensa da Invepar. O consórcio
que administra o aeroporto de Brasília disse que já investiu mais de R$ 1 bilhão no terminal e cerca de R$
500 milhões em Natal e que os investimentos estão dentro do cronograma:
“Todos os investimentos necessários da primeira fase já foram realizados e entregues no prazo, antes
da Copa (no caso do Aeroporto de Natal, com sete meses de antecedência em relação ao contrato). As
concessionárias dos dois aeroportos operam normalmente e com demais melhorias dentro do
cronograma”.