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Clippings - 03/12/09

Diretores da Camargo Corrêa são denunciados

São PAULO – O Ministério Público Federal em São Paulo fez uma nova denúncia contra três diretores da empresa Camargo Corrêa – uma das sócias majoritárias no estaleiro Atlântico Sul (EAS), em construção em Pernambuco – alvo de investigações na Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal. Segundo nota do Ministério Público, os denunciados são Pietro Francesco Giavina Bianchi, Darcio Brunato e Fernando Dias Gomes. Os três foram denunciados pela procuradora Karen Louise Jeanette Kahn por lavagem de dinheiro oriunda de corrupção passiva e ativa e evasão de divisas. Além dos diretores da construtora, o Ministério Público também denunciou o doleiro Kurt Paul Pickel pela prática de câmbio ilegal e evasão de divisas.

As investigações apontam que os diretores denunciados teriam pago propina a partidos políticos, agentes públicos e pessoas com funções relevantes para que a Camargo Corrêa saísse vencedora no processo de licitação de três obras públicas. Uma delas foi no Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef) para a contratação de 23 embarcações petrolíferas, no Rio de Janeiro. Na primeira etapa do programa, com contratação de 26 embarcações, o Estaleiro Atlântico Sul venceu o principal pacote de navios, sendo responsável pela construção de dez petroleiros suezmax, com valor de US$ 2,1 bilhões. Já no Promef 2, onde a Transpetro está contratando 23 embarcações, o EAS venceu a licitação para construir mais quatro navios suezmax e outros três aframax, com valor da encomenda estimado em US$ 1,2 bilhão.

O Atlântico Sul está sendo construído numa parceria entre a Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e PJMR. As duas empreiteiras detém, cada uma, 49,5% de participação acionária no consórcio. O EAS é um investimento de R$ 1,4 bilhão e vai gerar 5 mil empregos diretos no final do próximo ano. O primeiro navio suezmax será entregue à Transpetro em abril de 2010. Em setembro deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e altos executivos das empreiteiras do consórcio estiveram em Pernambuco para a solenidade de batimento de quilha da primeira embarcação do EAS.

Além da licitação dos navios, a Camargo Corrêa também está sendo investigada pelo Ministério Público nas obras de construção de hospitais no Pará e na aquisição de um terreno para realizar uma obra para a prefeitura de Caieiras (SP). Para pagar essas supostas propinas, que podem ter chegado ao valor de R$ 4 milhões, a empresa transferia o dinheiro para contas bancárias em nome de offshore (quando o verdadeiro dono da conta não aparece) por meio do doleiro Kurt Pickel.