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Confederação identifica ampliações e processos importantes tanto no Arco Norte, quanto no Porto de Santos e em outros portos nas regiões Sudeste e Sul
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) avalia que ainda é cedo e complexo para se ter um diagnóstico preciso sobre o escoamento das cargas adicionais do agronegócio nos próximos anos. Para a assessora técnica de logística e infraestrutura na CNA, Elisangela Pereira Lopes, o direcionamento dos produtos para exportação, não somente soja e milho, dependerá do avanço dos projetos de infraestrutura, tanto nos portos das regiões Sul e Sudeste, quanto nos portos do Arco Norte.
A CNA identifica uma série de projetos em andamento que vão expandir as capacidades de portos e terminais portuários nas regiões de novas fronteiras, acima da linha imaginária do paralelo 16. Elisangela citou a expansão do terminal Cotegipe (BA), prevista para 2025, além da implantação dos terminais ATU 18 e ATU 12, no Porto de Aratu (BA), que aumentarão a movimentação de grãos e fertilizantes nos próximos dois anos, além de
ampliações em Miritituba (PA) e em Porto Velho (RO).
A especialista da CNA ponderou que também existe um plano de expansão no Porto de Santos (SP). “O crescimento dependerá dos investimentos feitos em cada terminal e em cada porto público. Há leilões previstos e é preciso saber como ficará a situação se Santos, se será desestatizado ou não (…). São várias as variáveis que comprometem a previsão segura do que acontecerá nos portos nos próximos anos”, analisou Elisangela, durante reunião do Comitê de Usuários dos Portos e Aeroportos do Estado de São Paulo da Associação Comercial de São Paulo (Comus/ACSP), na última semana.
A assessora técnica observa que a Lei 12.815/2013, que completa 10 anos este mês, permitiu o arrendamento dentro de terminais públicos, o que melhorou a operacionalização desses portos e possibilitou o crescimento deles, com implementação de medidas como o agendamento de caminhões, modernização de equipamentos, dragagens e derrocamentos. “Falando de Santos, a curva não é tão ascendente, porém sabemos que existem investimentos planejados e em execução que manterão essa curva em crescimento”, pontuou.
Ela destacou que a Lei 12.815/2013 também permitiu a instalação de terminais de uso privado (TUPs) para ofertar 100% da capacidade a terceiros. A especialista observa que, desde a edição da lei, o sistema Belém/Guajará se tornou um dos principais sistemas de movimentação soja e milho, passando de zero, em 2013, a 17,4 milhões de toneladas movimentadas em 2022. Já o sistema São Luís/Itaqui/Ponta da Madeira, que movimentava entre 2 milhões/t e 3 milhões/t, alcançou 18 milhões/t com a ampliação do Tegram. Elisangela acrescentou que o sistema Ilhéus/Aratu/Cotegipe tem planos de expansão, podendo chegar a 20 milhões de toneladas a mais e possibilitando maior oferta para atender à movimentação de grãos.
Para a CNA, o crescimento da produção de soja e milho no Brasil desde 2009 reforça a importância de os portos e terminais aumentarem a capacidade de maneira a atender a produção, considerada cada vez mais exponencial. De 2009 até 2022, a participação da produção de grãos acima do paralelo 16 passou de 52% para 71%. A exportação, porém, não tem crescido na mesma velocidade nas áreas das novas fronteiras. Mesmo assim, aumentou de 7,2 milhões/t para 52 milhões/t no período.
A confederação identifica um crescimento médio de 10 milhões de toneladas/ano entre 2009 e 2022, sendo que as novas fronteiras agrícolas representam crescimento de 8,8 milhões de toneladas/ano. Em valores de toneladas, as exportações ainda têm crescido mais nos portos do Sul e do Sudeste: 4 milhões/t, ante 3,5 milhões/t ano nas novas fronteiras. “Existe um déficit de 5,3 milhões de toneladas/ano. Seria necessário a implantação de um terminal para atender o crescimento cada vez mais exponencial nessas regiões do Centro-Norte e do Nordeste do país, que equivale à capacidade de 1 TUP”, comentou Elisangela.
Fonte: Revista Portos e Navios