Estimativa considera apenas 25% os fornecedores que, segundo a Abimaq, são hoje credores das empresas de engenharia. Já ultrapassa os R$ 200 milhões a dívida de epecistas com fabricantes de máquinas e equipamentos no setor de óleo e gás. A estimativa da Abimaq leva em consideração informações disponibilizadas por cerca de 30 empresas, um quarto do total de fornecedores que a entidade acredita que são atualmente afetadas pela falta de pagamentos.
As situações mais graves são daqueles fornecedores que já entregaram o equipamento ao epecista, mas ainda não receberam; de empresas que já concluíram a máquina, mas não a faturaram; e fabricantes que já iniciaram a fabricação dos equipamentos, mas, diante do cenário de inadimplência, não sabem se devem continuar com o trabalho.
Um caso exemplar é o de fornecedores que haviam fechado contratos com a Iesa para fornecer equipamentos para os módulos dos FPSOs replicantes da Petrobras. Como o epecista entrou em recuperação judicial, a Petrobras decidiu abrir uma nova licitação para contratar a integração no exterior, praticamente eliminando a possibilidade de fornecimento de bens de capital nacional.
Além disso, também se encontram em situação complicada fabricantes que necessitam de novos pedidos para se manter. Segundo a Abimaq, são aproximadamente 400 empresas que atendem ao setor petróleo no Brasil. As perspectivas são negativas, considerando o corte de investimentos da Petrobras. “Essa nova redução causará danos grandes às empresas”, assinalou o presidente Executivo da Abimaq, José Veloso, durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (28/1).
Resultados
Em 2014, a indústria de máquinas e equipamentos faturou R$ 71,19 bilhões, variação negativa de 13,7% em relação a 2013. O atual cenário aponta para uma nova retração em 2015.
O consumo aparente foi de R$ 108,25 bilhões (-15%); e o faturamento interno, R$ 39,46 bilhões (-26,4%). Segundo a Abimaq, não há previsão de retomada de investimentos em 2015.
O volume exportado no ano passado foi da ordem de R$ 13,4 bilhões – aumento de 7,4% em comparação com o ano anterior – e o importado, R$ 28,67 bilhões (-12,1%). A média anual da participação da importação no consumo brasileiro de máquinas e equipamentos saltou de 49%, em 2008, para 71% em 2014.
O mês de dezembro de 2014 registrou crescimento nas exportações, na comparação com o mês anterior, de 16,0%. Destaque para o setor de Infraestrutura e indústria de base, que aumentou suas exportações no ano em 20,6%, contribuindo com 23,0% na participação do crescimento das exportações de Bens de Capital.
No ano passado, o déficit na balança comercial foi de US$ 15,276 bilhões (FOB), registrando uma redução de 24,2% quando na comparação com 2013. Para 2015, se confirmadas as expectativas de crescimento das exportações e queda das importações, haverá novamente uma redução no déficit da balança comercial.