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Clippings - 05/02/26

Docas de São Sebastião prevê terminal multipropósito desafogando movimentação de contêineres e demais cargas

Autoridade portuária acredita em leilão no segundo semestre de 2026. Escopo prevê movimentação anual chegando a 4,3 milhões de toneladas de granéis e 1,3 milhão de cargas conteinerizadas, bem acima do total registrado no ano passado

A instalação de um terminal multipropósito destinado a granéis sólidos, cargas de projeto e contêineres numa área de 426 mil metros quadrados que será arrendada no Porto de São Sebastião (SP) vai triplicar a capacidade de movimentação do complexo e reduzir gargalos em outros portos, prevê o diretor-presidente da Companhia Docas de São Sebastião (CDSS), Ernesto Sampaio. Segundo ele, a expectativa inicial é de que o o futuro terminal, com leilão previsto para o segundo semestre de 2026, movimente por ano em torno de 4,3 milhões de toneladas de granéis e 1,3 milhão de cargas conteinerizadas, muito acima do total registrado ao longo de 2025, que foi de 1,44 milhão de toneladas.

Sampaio explicou à Portos e Navios que o processo de licitação está em sua fase final, depois de encerradas as audiências públicas para receber sugestões e contribuições de grupos interessados e da sociedade. Segundo ele, o projeto está passando agora por adaptações na Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e há previsão de que a proposta de edital seja enviada até abril para análise do Tribunal de Contas de União (TCU), que leva, em média, três meses para divulgar seu parecer.

Segundo a autoridade portuária, a inclusão da obrigatoriedade que o novo terminal movimente contêineres foi incorporada após, nas consultas públicas, participantes terem alertado para a necessidade de ampliação da capacidade brasileira de movimentar cargas conteinerizadas para superar gargalos logísticos que afetam os principais portos do país.

A expectativa da CDSS é que o Porto de São Sebastião, que hoje movimenta basicamente granéis, passe a ser ponto de redistribuição de cargas conteinerizadas porque, graças às condições naturais em que está instalado, com calado natural de 20 metros de profundidade e de até 42 metros em alguns pontos, sem necessidade de dragagem de manutenção, terá capacidade de receber os maiores navios do mundo com carga total, o que nenhum terminal brasileiro tem e nem mesmo o Tecon Santos 10, que será o maior do segmento no país, terá.

Ernesto Sampaio acredita que esse diferencial um grande atrativo para investidores interessados em arrendar a área e instalar o terminal multipropósito, já que sem gastos ou paralisações com dragagens e com capacidade de receber as embarcações de maior porte em operação, haverá importantes ganhos de custo logístico. Ele explicou que o investimento inicial previsto é de R$ 2,5 bilhões e de mais R$ 1,3 bilhão durante os 35 anos de duração do contrato, que poderá ser renovado.

O diretor-presidente da Docas de São Sebastião destacou como outro fator positivo para o terminal o fato de estar próximo à Rodovia dos Tamoios, que liga a cidades paulistas de São José dos Campos e Caragutatuba, o que, explicou, facilita o escoamento de cargas para diversas regiões, incluindo para os portos de Santos, do Rio de Janeiro, de Paranaguá e os do sul do país. “Estamos a um hora de viagem do Vale do Paraíba, entre São Paulo e Rio de Janeiro”, ressaltou

Os R$ 2,5 bilhões em investimentos privados esperados nos primeiros anos do contrato serão usados na ampliação da infraestrutura, com novos berços de atracação, pátios operacionais, sistemas rodoviários de recepção e expedição e equipamentos para movimentação de contêineres e granéis. O cronograma prevê até nove anos para a conclusão das principais obras, com execução faseada para garantir a continuidade das operações.

Fonte: Revista Portos e Navios