
A Hygo (ex-Golar Power) e Aruanã Energia pretendem construir duas instalações de GNL no Porto de Suape, em Pernambuco. Em análise pela Superintendência de Infraestrutura e Movimentação da ANP (SIM), os projetos preveem a utilização da mesma área no porto, o que motivou ofício da agência pedindo esclarecimentos à administração de Suape.
Trata-se do Cais de Múltiplos Usos (CMU), que será objeto de licitação visando cessão onerosa para implantação de um terminal de GNL, por meio de navio FSRU. No dia 28 de junho, o governo do estado publicou aviso no Diário Oficial da União solicitando manifestação de interessados em até cinco dias úteis, tendo recebido cinco manifestações.
À SIM, no último dia 16, o diretor Presidente de Suape, Roberto Duarte Gusmão, afirmou que o porto “vem sendo objeto de diversos estudos realizados por players do setor com vistas a sua consolidação como hub de gás natural do Nordeste, devido às condições geográficas, mercadológicas e estruturais”. Gusmão informou ainda que não autorizou o início de obras ou operação do projeto no CMU por nenhuma empresa que tenha manifestado interesse, restando a realização da licitação.
Anunciado em julho do ano passado, o projeto da Hygo prevê a distribuição de GNL a granel em iso-contêineres, abastecidos por um navio LNGBV (Liquid Natural Gas Bunkering Vessel) com capacidade de até 7,5 mil m³ de GNL, atracado no píer do CMU. Dessa forma, a empresa pretende criar um “gasoduto virtual” para interiorização do GNL.
O projeto foi encaminhado à ANP em outubro de 2019 e, depois da apresentação de vários documentos, recebeu sua última análise técnica em maio deste ano, quando foram solicitadas novas providências.
Já a autorização para implantação de terminal de GNL no Porto de Suape foi requerida pela Aruanã em abril de 2021. Prevê-se a importação de GNL, regaseificado por navio FSRU atracado permanentemente no Cais de Múltiplos Usos e depois escoado, por meio de dois gasodutos a serem construídos, para as redes de distribuição, operada pela Copergás, e de transporte, pela TAG. A SIM concluiu análise técnica neste mês e também exigiu novos documentos.
Recentemente, a Aruanã recebeu aval da ANP para a importação de GNL dos Estados Unidos no mercado spot (de curto prazo). A companhia poderá importar até 14 milhões de m³/dia de gás natural regaseificado, via transporte marítimo e tendo a região Nordeste como mercado potencial.
Fonte: Revista Brasil Energia