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Na Mídia - 02/07/21

É possível ter uma indústria de reciclagem de navios no Brasil?, por Juliana Senna, Jeniffer Pires e Gabriel Penna

transporte marítimo tem um papel vital no comércio internacional, sendo as embarcações responsáveis pela movimentação de 80% de toda a carga mundial, de acordo com o relatório da United Nations da conferência sobre transporte marítimo e comercio.

No entanto, como todo  equipamento, as embarcações também têm um ciclo de vida útil, devendo ao final desta, ter uma destinação adequada.

Uma média de 800 embarcações são desmanteladas por ano, o que demonstra que a disposição final desses ativos é um mercado significativo e com demanda mais estável do que o mercado de construção, por exemplo. Além disso, é um mercado de abrangência mundial.

Não há uma correlação entre a bandeira ou o local de operação dos ativos com o local escolhido pelos armadores para o desmantelamento. Pelo contrário, em 2020, apenas 3 países (Índia, Bangladesh e Paquistão) foram responsáveis pelo desmonte de 90% de toda a tonelagem mundial destinada a tal fim.

Existem diversas oportunidades para a entrada do Brasil nesse mercado, com destaque para:

(i) Localização dos ativos a serem reciclados – Uma das formas de competir com os baixos custos oferecidos pelos estaleiros do Sul da Ásia, seria evitar os custos logísticos de transporte das unidades em operação no país para tais locais distantes.

O Brasil tem sua frota de navios de cabotagem com média de idade de 15,5 anos, de acordo com dados da ANTAQ, de forma que uma grande parcela de embarcações poderá ser reciclada entre os anos de 2032 e 2039.

Além disso, temos uma grande frota de unidades offshore já fora de operação e a estimativa de cerca de 102 plataformas a serem descomissionadas nos próximos 10 anos, criando uma oportunidade para que sejam recicladas no Brasil.

(ii) O Brasil tem infraestrutura necessária – estaleiros modernos e de grande porte, que sofrem com a baixa taxa de ocupação, em razão da redução da demanda de novas construções.

(iii) Prática alinhada com as ESG – hoje muito se fala na adoção de práticas que privilegiem o meio ambiente, sobretudo por meio da economia circular.

A reciclagem de embarcações, feita da forma correta, é um ótimo exemplo da implementação desses conceitos.

Estima-se que é possível aproveitar para a reciclagem entre 80-90% de todos os materiais extraídos das embarcações no processo de desmantelamento (em especial aço, ferro, outros equipamentos), reduzindo assim os impactos ambientais da produção de novas partes e peças.

Fonte: EPBR