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Clippings - 22/06/17

EAS prevê primeiro lucro operacional em dez anos

O Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em Pernambuco, deve obter neste ano resultado operacional positivo pela primeira vez na história, após quase dez anos de operação, segundo o presidente da companhia, Harro Burmann.

Com isso, os sócios Camargo Corrêia e Queiroz Galvão não devem precisar aportar mais recursos no empreendimento em 2017.

“Temos caixa para sustentar as operações até dezembro”, disse o executivo. Segundo Burmann, a empresa precisará de capital novo no ano que vem, caso não consiga renegociar o prazo para o pagamento da dívida com o BNDES, de R$ 1,3 bilhão. Desde 2014, o EAS está engajado com o Sinaval, entidade que representa o setor, para aprovar uma Medida Provisória que amplie o prazo de amortização da dívida dos estaleiros de 20 para 30 anos e aumente o limite de carência de 40 para 72 meses. “O governo quer manter emprego ou destruir? Quer construir ou destruir a indústria naval”, disse.

O EAS enfrenta um cenário de incerteza sobre a continuidade das suas operações a partir de 2019, quando finaliza a entrega das encomendas da Transpetro. As definições sobre o futuro ficarão mais claras com um comunicado oficial da Petrobras ao mercado, aguardada para até o fim de julho, com informações sobre a demanda da estatal por petroleiros para os próximos anos. Só assim a empresa conseguirá saber se está de pé o seu acordo com South American Tanker Company (Satco), que tem interesse em 13 embarcações a serem construídas pelo estaleiro, das quais oito para alugar à estatal. “Não acredito que se a Petrobras olhar para frente não tenha demanda”, afirmou o executivo. Para ele, a estatal tem papel estratégico no desenvolvimento do país.

A ideia da Satco é se tornar uma empresa brasileira de navegação (EBN), como a Transpetro, tendo acesso especial a linhas de financiamento. O EAS vem procurando outros parceiros no exterior como mesmo perfil da Satco, tentando “vender o Brasil” como um investimento promissor. “É um momento difícil de conseguir contratos de longo prazo”, assume Burmann. O executivo garante que essa dificuldade não está relacionada ao envolvimento dos sócios na operação Lava-Jato. Uma auditoria externa, diz, constatou que não houve nenhum desvio de conduta no EAS.