A Ecovias, concessionária de rodovias que explora o Sistema Anchieta-Imigrantes (ligação entre São Paulo e o litoral paulista), apresentou projeto de construção de uma ponte entre as cidades de Santos e Guarujá estimada em R$ 2,9 bilhões.
O traçado foi apresentado na última sexta-feira em reunião do Conselho de Autoridade Portuária (CAP), órgão consultivo da administração do porto de Santos, mas já vem sendo discutido há algum tempo junto à Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp).
O projeto começou a ser desenvolvido no ano passado, após o ex-governador de São Paulo, Márcio França (PSB), declarar que iniciaria estudos para uma ligação seca entre os municípios. Alguns meses depois, autorizou a Ecovias a desenvolver o projeto.
A Ecovias é uma das concessionárias de rodovias do grupo Ecorodovias. O conglomerado, por sua vez, é controlado pela Primav (64%), empresa de propriedade dos grupos de infraestrutura CR Almeida e do italiano Gavio. O restante das ações está no mercado (31%) e 5% são detidas diretamente pelo Gavio.
Na apresentação à qual o Valor teve acesso, a Ecovias destaca que a ligação vai melhorar a movimentação de cargas no porto de Santos e a mobilidade urbana na Baixada Santista. Hoje a ligação entre Santos e Guarujá é feita por balsas e por rodovia pedagiada – esta última integra a concessão da Ecovias.
A empresa sustenta que a ponte será solução para “eliminar um gargalo logístico, assegurando maior fluidez à movimentação e ao escoamento de cargas no porto de Santos” e que é opção de mobilidade urbana, gerando “benefício para cerca de 1,8 milhão de moradores da Baixada Santista”. A Baixada Santista é composta por nove cidades que reúnem 1,8 milhão de pessoas. Somente Santos e Guarujá têm 745 mil habitantes.
Ao Valor, a Ecovias disse que a ligação deverá atender um tráfego diário médio de 26 mil veículos, entre caminhões e carros de passeio, conforme estudo de demanda da empresa feito no ano passado. Entre as principais vantagens da ponte a Ecovias destaca ainda, na apresentação, “redução pela metade no tempo médio de viagem e diminuição de gases de efeito estufa”.
O traçado apresentado pela empresa prevê 7,5 quilômetros e levará três anos para ser entregue. A transposição do canal de navegação do porto que separa Santos e Guarujá seria na altura da Ilha Barnabé, ligando a rodovia Anchieta, no km 64, à rodovia Cônego Domênico Rangoni, no km 150.
Empreendimento deverá atender tráfego diário médio de 26 mil veículos, entre caminhões e carros de passeio
A velocidade operacional e de sinalização seria de 80 quilômetros por hora na extensão da ponte e de 40 quilômetros por hora nas alças de acesso à estrutura. O vão principal da ponte teria 85 metros de altura e 325 metros de largura entre os pilares.
A empresa ressalvou que o projeto executivo está em fase de avaliação pela Artesp e pode sofrer revisões, alterações ou adequações, conforme o avanço das discussões técnicas entre a concessionária e a agência. Por essa razão, o orçamento poderá sofrer alteração.
Como se trata de uma obra nova, não prevista no contrato de concessão da Ecovias, a inclusão do empreendimento ensejaria o reequilíbrio econômico-financeiro do contrato junto ao poder concedente.
Nem a Ecovias nem a Artesp responderam se a ponte terá pedágio e, em caso positivo, qual o valor estimado da cobrança. Conforme o Valor apurou, o mais provável é que, se o empreendimento for aprovado, a contrapartida para reequilibrar o contrato seja a extensão do prazo para a Ecovias explorar o Sistema Anchieta-Imigrantes. Hoje, o contrato vai até 2026.
O Valor encaminhou nove perguntas à Artesp, como o que embasa a decisão de construir uma ponte entre as cidades. A agência não respondeu às perguntas. Mas enviou nota em que esclarece que “realiza, neste momento, análise técnica dos projetos executivos encaminhados pela Ecovias”. Disse que só depois da conclusão desse estudo, e consequentemente da aprovação do projeto, “poderá determinar que se concluam as adequações técnicas, econômico-financeiras e jurídicas para eventual inclusão das obras no atual contrato de concessão firmado entre o Estado e a concessionária Ecovias”, o que se daria por meio de aditivo.
Fonte: Valor Econômico