A Petrobras já está trabalhando na elaboração do edital da licitação para o afretamento de um FPSO destinado à primeira fase do projeto de revitalização de Marlim, na Bacia de Campos, que contará ainda com uma segunda fase. A petroleira abriu uma consulta ao mercado para verificar o interesse e a disponibilidade da indústria para atender a demanda por duas unidades e o plano é liberar o edital no fim do ano.
O edital da primeira licitação será destinado ao afretamento de um FPSO com capacidade para produzir 100 mi b/d de óleo e processar 6 milhões de m3/d de gás. Afretada pelo prazo de 25 anos, a unidade terá capacidade para estocar 1 milhão de barris de óleo.
A entrega das propostas será marcada para 2018, quando a petroleira já terá concluído as licitações das unidades de Libra e de Sépia e estará conduzindo apenas o processo de afretamento da unidade de Búzios V. A intenção atual é de agendar a data de recebimento das ofertas para fevereiro.
Ao contrário das últimas unidades em licitação, Marlim não terá exigência de conteúdo local por se tratar de um contrato da rodada zero. Sem essa obrigação, a aposta é de que o contrato de afretamento dos dois FPSOs desperte o interesse de um número maior de empresas.
A consulta ao mercado da Petrobras foi aberta em maio. O request for information (RFI) foi voltado a três unidades, uma com capacidade para 100 mil b/d, uma para 75 mil b/d e 6 milhões de m3/d de gás e outra para 50 mil b/d e 4 milhões de m3/d de gás.
A petroleira ainda não bateu o martelo sobre o porte do FPSO da segunda fase do programa de revitalização e por isso a consulta ao mercado foi direcionada a três unidades. Os estudos estão focados a uma unidade para 75 mil b/d ou 50 mil b/d, ambas com capacidade para estocar 750 mil barris de óleo e prazo de afretamento de 25 anos.
O edital da segunda unidade de Marlim só deverá ser liberado entre o fim do primeiro semestre e o início do segundo semestre de 2018. O plano original da Petrobras era lançar a licitação da fase I no primeiro semestre de 2017 e a da etapa II no segundo semestre deste ano.
De acordo com o cronograma do Plano de Negócios 2017-2021, a fase I do projeto de revitalização de Marlim está prevista para entrar em operação em 2020 e a segunda etapa em 2021. Internamente, a Petrobras já vislumbra a possibilidade desses prazos serão revistos por conta do atraso na contratação das unidades de Libra e Sépia.
A implantação das fases I e II do projeto de revitalização de Marlim permitirá à Petrobras substituir um total de nove unidades instaladas no campo – sete de produção, sendo quatro semissubmersíveis e três FPSOs, e duas de processamento. O projeto demandará investimentos de US$ 13 bilhões, montante que inclui os gastos com o descomissionamento das unidades e a substituição de todas as linhas de óleo.
A fase I será voltada a parte Norte do campo e substituirá a P-20, P-33 e P-19, além de alguns poços da P-35. Já a segunda etapa será direcionada à área Sudoeste, produzindo parte do óleo da P-35, P-37 e P-26.
O projeto de revitalização prevê o remanejamento de mais de 80 poços, a perfuração de dez novos poços (seis produtores e quatro injetores) e a instalação de mais de 1.000 km de novas linhas flexíveis e umbilicais. O pico de produção do novo sistema, com as duas fases, deve atingir a marca de 150 mil b/d de óleo, quatro anos depois da entrada em operação do primeiro módulo.
Marlim está em operação há 25 anos e produz atualmente cerca de 138 mil b/d de óleo e outros 230 mil b/d de água, através de um total de 62 poços em operação. O campo atingiu seu pico de produção em 2002, com a marca de 580 mil b/d, a maior já assegurada por uma única concessão da Petrobras, até a descoberta do pré-sal.