Quase vinte anos após o fim do monopólio, o Brasil pode finalmente ter um calendário de longo prazo para licitações de blocos exploratórios, no modelo de concessão. “A nossa meta é fazer anualmente leilão de pós-sal”, afirmou o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, em entrevista exclusiva para a Brasil Energia Petróleo & Gás. Leia aqui a entrevista.
A 13ª rodada será anunciada durante a OTC, em Houston, que ocorrerá na próxima semana e o edital sairá logo em seguida. Vinte e três setores estão em análise pelo governo para compor o portfólio de áreas sendo 12 offshore, em seis bacias da Margem Leste, e 11 setores em terra, no Norte e no Nordeste.
O ministro defendeu a existência de um calendário e já fala na preparação da 14ª rodada, além de reconhecer que a oferta constante de áreas é importante para a viabilidade da indústria.
“Você tem que manter, não só a parte de recursos humanos, como também a parte do hardware, dos equipamentos, comprometidos com a locação no Brasil. Sob pena de você ver esses equipamentos deslocados do Brasil para outros sites”.
Essa desmobilização já é evidente, devido ao hiato de cinco anos entre a 10ª rodada de 2008 e a retomada em 2013. O Brasil tem hoje 350 blocos em exploração sob o modelo de concessão. O problema é que metade dessas áreas é oriunda das 11ª e 12ª rodadas, ou seja, nas primeiras fases de exploração que demandam menos investimentos.
Nos 168 blocos das rodadas anteriores, licitados até 2008, 68 estão com prazos suspensos devido a problemas – licenciamento ambiental, por exemplo –, de acordo com dados recentes da ANP. Essa realidade impacta diretamente a infraestrutura nacional do setor de perfuração, que tem encolhido ano a ano.
Pré-sal
Apesar da defesa do calendário de licitações, o ministro Eduardo Braga acredita que é preciso esperar por um momento mais propício para licitar novas áreas no pré-sal. “O pré-sal é a nossa joia da coroa (…) Aquilo é um patrimônio do povo brasileiro que, se nós vendermos a US$ 40, é uma coisa. Se vendermos a US$ 80 é outra”, afirmou na entrevista.
Eduardo Braga afirmou também que a indústria nacional existente para atender as primeiras demandas do pré-sal poderia não ser capaz de atender novos projetos. “Como investir no Brasil se eu não tenho espaço para contratar novas plataformas no Brasil? Nós estávamos em um ritmo que a nossa capacidade de produção, com a arquitetura de projeto que estava posta, estava 100% ocupada”, afirmou.