São PAULO – A operação de capitalização da Petrobras, que foi comemorada sexta-feira na Bolsa paulista, já teve impacto direto nas posições da empresa e da BM&F Bovespa no ranking mundial. A Bolsa tornou-se a segunda maior do mundo, ultrapassando concorrentes tradicionais, como Londres e Nova York, e a Petrobras passou a ser a segunda companhia global de petróleo e a quarta maior empresa do mundo em valor de mercado.
Éramos, até a abertura dos mercados de ontem [quinta-feira], a terceira maior. A BM&F Bovespa, como empresa, passa a ter o valor de mercado da ordem de R$ 30,4 bilhões. Este valor é 25% maior do que a soma das três Bolsas que são consideradas as catedrais do capitalismo internacional. São elas a Bolsa de Nova York, a Bolsa de Londres e a Nasdaq (também de Nova York, que negocia principalmente ações do setor de tecnologia, destacou Edemir Pinto, presidente da BM&F Bovespa.
Apesar de a oferta da estatal ter sido bem-sucedida, somando R$ 120,3 bilhões, as ações da Petrobras encerraram em queda no pregão da última sexta-feira, dia que deu início à negociação dos novos papéis.
Na Bolsa brasileira, as ações preferenciais fecharam com baixa de 1,86%. As ações ON (com direito a voto) finalizaram o dia com retração de 1,98%. Na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), as ADRs da estatal também encerraram em queda. A ADR PN fechou em queda de 2,19% e a ADR ON amargou retração de 1,88%.
Apesar da queda, a operação da Petrobras fez com que o volume negociado na BM&F Bovespa na sexta-feira desse um salto, chegando a mais de R$ 11 bilhões, o maior desde junho. O giro cresceu principalmente porque investidores que aderiram à operação da estatal venderam outras ações para fazer caixa, de olho na liquidação da operação, que será quarta-feira.
A capitalização fez com que a Petrobras ficasse atrás apenas da norte-americana Exxon no ranking global das empresas petrolíferas, por valor de mercado. Com a operação, a Petrobras passou a ter cerca de R$ 270 bilhões em valor de mercado.
Além disso, a Petrobras passou a ser a quarta maior empresa do mundo em valor de mercado, no ranking que inclui todos os setores da economia. Em primeiro nesse ranking geral também está a Exxon, seguida por PetroChina e Apple. A estatal brasileira ficou à frente, nesse ranking de companhias do porte de Microsoft, Walmart e General Electric.
O valor de mercado é o preço de cada ação da empresa multiplicado pelo número de papéis em circulação. Assim, representa o quanto um investidor pagaria se fosse possível comprar todas as ações da companhia. O valor varia diariamente, de acordo com a cotação dos papéis da empresa.
O rateio
Os pedidos de reserva dos investidores de varejo feitos diretamente ou via fundos na oferta da Petrobras foram atendidos com rateio de 45,77%. As pessoas vinculadas à operação foram incluídas, sinal de que a demanda pelos papéis não superou a oferta em mais de um terço. A megaoferta da Petrobras movimentou até R$ 120,360 bilhões, o equivalente a R$ 29,65 por ação ordinária (ON) e R$ 26,30 por preferencial (PN).
Na oferta prioritária, destinada aos acionistas da estatal, os pedidos foram atendidos até o limite proporcional da participação que possuem na companhia. Os pedidos que excederam o limite foram alocados nas sobras, mas apenas dentro da mesma classe de papéis. Com isso, quem possuía ações ON não pôde participar das sobras de PN, e vice-versa.
Já os pedidos de reserva de ações feitos pelos funcionários da estatal foram integralmente atendidos.
A liquidação da operação, ou seja, o dia em que os investidores que reservaram as ações terão de pagar por elas, ocorrerá em 29 de setembro.
Bolsa verde-amarela
Na cerimônia de sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lembrou que a maior operação de lançamento de ações da história não aconteceu na Bolsa de Londres, nem na de Nova York. Foi na Bolsa verde-amarela, graças ao trabalho da BM&F Bovespa e da Petrobras.
Também na cerimônia, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, lembrou que a capitalização da Petrobras permitiu ao governo elevar sua participação na empresa de 40% para 48%.
O ministro destacou que a operação foi um sucesso em todos os sentidos, transformando a Petrobras na segunda maior petroleira do mundo. Segundo Mantega, a operação também serviu para mostrar que o Brasil está livre da maldição do petróleo (referindo-se aos países que viveram dificuldades econômicas por depender excessivamente desse produto). No nosso caso, é a bênção do petróleo, disse.