Brasil Econômico – 10/01/2014
Primeiro projeto gerador de caixa é anunciado após destituição e renúncia de conselheiros independentes
Nicola Pamplona
Em meio a uma crise nos bastidores, a HRT Petróleo anunciou ontem o início de suas atividades como produtor de petróleo, ao assumir a operação do campo de Polvo, na Bacia de Campos. A mudança de patamar, que coloca a empresa como a quinta maior operadora petrolífera do país, com uma produção de 7,2 mil barris por dia, dá novo fôlego à companhia, que vem enfrenta uma crise de credibilidade junto ao mercado após a frustração de suas primeiras apostas nas bacias do Solimões e na Namíbia.
Os problemas na administração, porém, ainda são um desafio no esforço para reconquistar a confiança dos investidores. Ao assumir o campo de Polvo, fruto de um negócio de US$ 101milhões feito no ano passado coma britânica BP, a HRT deixa de ser uma empresa pré-operacional e passa a garantir sua primeira fonte de receita, que pode ajudar a sustentar o plano de investimentos.
Com produção total de 12 mil barris por dia, Polvo garantiu à BP, em 2013, um resultado operacional de US$ 67 milhões, segundo nota divulgada ontem pela HRT. Além da receita com a vendado petróleo produzido, a companhia brasileira leva, pelo acordo, uma carga de 300 mil barris que está armazenada no navio-plataforma em operação no campo.
Considerando que o petróleo no campo tinha, em novembro, uma cotação de US$ 94 por barril — de acordo com o preço mínimo estipulado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) — a carga tem valor de mercado de cerca de US$ 28 milhões.De acordo como presidente da HRT, Milton Franke, a empresa planeja dois novos poços na área para ampliar o volume produzido.
A aquisição de do Campo de Polvo leva a HRT a um novo estágio, agora operacional, como uma companhia operadora na produção de petróleo, e isso é um grande marco na história da empresa e na implementação da estratégia de diversificação do portfólio da companhia, disse Franke, por e-mail, ao Brasil Econômico.
A companhia trabalha ainda na busca por alternativas para desenvolver poços de gás natural descobertos na Bacia do Solimões, em meio à floresta amazônica, projeto que deve ter o controle repassado à russa Rosneft. Franke não quis comentar, porém, a crise do conselho de administração da HRT, que ganhou força após reunião em que o grupo do fundador da companhia, Márcio Mello suspendeu dois representantes de um bloco de oposição e tornou sem efeito a eleição de membros do conselho fiscal, alegando conflito de interesses.
A decisão provocou a renúncia de outros quatro conselheiros e motivou questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo fontes, os conselheiros independentes acusam Mello de agir para evitar investigações sobre atos de sua gestão. A crise é combustível para uma troca de acusações entre as partes envolvidas. Em esclarecimento enviado à CVM na segunda-feira, a direção da HRT diz que a empresa tem sido alvo de um volume elevado de especulações e de vazamentos para a imprensa de informações confidenciais relacionadas às reuniões do conselho de administração.
A companhia repudia e está buscando os caminhos adequados para investigar e denunciar (os autores dos vazamentos), diz o texto.Com controle pulverizado — o maior acionista é o fundo canadense Discovery Capital Management, com 17,7% das ações — a empresa marcou para o dia 18 de março assembleia geral de acionistas com o objetivo de eleger novos membros do conselho e votar alterações em seu estatuto social.
Outros acionistas relevantes são o Itaú Unibanco, com 5,1% das ações, e o fundo JGPetrochem, da DocasInvestimentos, do empresário Nelson Tanure, que comunicou ao mercado, no final do ano passado, a compra de 2,7% do capital da companhia. A HRT foi fundada em 2008 e abriu capital em bolsa dois anos depois, com a captação de R$ 2,6 bilhões, aproveitando momento de euforia dos investidores com o mercado brasileiro de petróleo.