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Clippings - 04/03/10

Embargado terminal pesqueiro

Semace embarga o Terminal Pesqueiro de Camocim. A obra da União está pronta, mas sem licença e estudo de impacto ambiental
O Terminal Pesqueiro Público de Camocim foi embargado pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) por não apresentar licença ambiental. O empreendimento do Ministério da Pesca e Aquicultura está pronto, mas não pode iniciar suas atividades por falta do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (Rima). O embargo ocorreu dia 9 de fevereiro e a multa para este tipo de infração varia de R$ 500 a R$ 10 milhões.

O novo terminal pesqueiro de Camocim recebeu um investimento de R$ 10 milhões do Governo Federal para o beneficiamento e comercialização de peixes na região. Segundo o superintendente estadual do Ministério da Pesca e Aquicultura, Melquíades Carneiro, todo o processo de licenciamento da obra foi realizado em Brasília.

“Houve uma falha, mas que não torna impossível de regularizar“, comenta. A previsão é que em abril tudo esteja regularizado para a inauguração do Terminal Pesqueiro Público de Camocim, que contará com a presença do presidente Lula e do ministro da Pesca e Aquicultura, Altemir Gregolin.

Só que para iniciar as atividades por lá, o representante do Ministério da Pesca e Aquicultura precisa assinar o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que deve ser concluído próxima semana. “O EIA/Rima só vale se for feito previamente. Como as obras já foram finalizadas, deve ser incluído ao TAC uma auditoria ambiental, permitindo consulta popular e ao Conselho Estadual do Meio Ambiente“, diferencia o assessor especial da Semace, Breno Carvalho. Ele explica que a área onde está localizado o terminal pesqueiro pertence à União e deveria contar também com laudo do Serviço de Patrimônio da União (SPU). “Mas eles não apresentaram nada, nenhum tipo de estudo ambiental foi realizado antes das obras“, atesta.

E acrescenta que aquela região não poderia ser ocupada por nenhum tipo de empreendimento por ser considerada uma área ambiental sensível.

Licenciamento
Entre os prejuízos que o terminal pesqueiro pode acarretar na região, está o lançamento de resíduos líquidos e sólidos in natura no mar, prejudicando a qualidade da água e fauna, segundo aponta Breno. Com a assinatura do TAC, o Ministério da Pesca se compromete a requerer o licenciamento ambiental, contratar a auditoria ambiental, entregar o relatório de impacto ambiental e não iniciar as atividades no terminal até a finalização do processo.

Melquíades Carneiro justifica que o novo terminal pesqueiro foi construído a partir da ampliação do antigo porto de Camocim, cedido pela Companhia Docas do Ceará. “Vamos atender toda a demanda de produção de peixes de Camocim.

Isso equivale a cerca de 40% da produção do Estado“, destaca. Além disso, ele afirma que o empreendimento contará com uma moderna estação de tratamento de resíduos sólidos e líquidos.

O QUE DIZ A LEI

>Decreto federal 6514/2008.
Artigo 66 – Incorre multa de R$ 500 a R$ 10 milhões quem “constrói, reforma, amplia, instala ou faz funcionar estabelecimento, obra ou serviço sujeito a licenciamento ambiental localizado em unidade de conservação ou em sua zona de amortecimento, ou em áreas de proteção de mananciais legalmente estabelecidas, sem anuência do respectivo órgão gestor e quem deixa de atender a condicionantes estabelecidas na licença ambiental“.

E-Mais
> Mesmo com a assinatura do TAC, a multa pela falta de licenciamento ambiental da obra será cobrada. “A irregularidade foi cometida. Vamos estudar os parâmetros para definir de quanto será o valor da multa“, completa o assessor da Semace, Breno Carvalho.

> De acordo com a lei 12.148 de 29 julho de 1993, nos casos de infração administrativa por impacto ambiental deve ser exigida auditoria ambiental. Só após o estudo ambiental, pode ser diagnosticado se os possíveis prejuízos na área seriam aceitos diante do benefício social e econômico para a região.

> Camocim terá a mesma estrutura de outros dois terminais pesqueiros, em Itarema e Beberibe. Juntos, os terminais atenderão, segundo o Governo, cerca de 12 mil pescadores.
> Com base em projetos similares, a expectativa é de que a produção inicial seja de 35 toneladas de peixes por dia, além de 50 toneladas de gelo. Há a possibilidade para que, no futuro, ocorra o beneficiamento de camarão.