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Levantamento aponta que, em dois anos, Brasil aumentou o comércio de carnes com a China em 85%.
Os embarques de contêineres do norte da Ásia para a costa leste da América do Sul aumentaram 185.000 TEUs, de 2019 a 2021. É que mostra um levantamento da S&P Global Platts, que apontou ainda que, nesse período, o Brasil aumentou o comércio de carnes com a China em 85%. A avaliação é que as rotas marítimas do norte asiático para o Brasil têm experimentado crescimento anual constante, à medida que as economias da América do Sul crescem e testemunham o aumento da atividade de importação e exportação. A Platts também constatou que os embarques em contêineres do Chile para a China caíram 8% em meio à disponibilidade limitada de equipamentos de exportação.
De acordo com a Platts, o aumento dos embarques de contêineres do norte da Ásia para a costa leste sul-americana ocorreu durante os seis primeiros meses de 2021, em comparação com os mesmos meses de 2019. Nesse período, as remessas do norte asiático para a costa oeste da América do Sul aumentaram pouco mais de 100.000 TEUs, para quase 2,15 milhões TEUs durante o mesmo período.
A Platts observa que o Brasil tem feito progressos constantes no aumento as exportações de contêineres para a China, aumentando seu comércio de carne com o país asiátivo para mais de US$ 7,4 bilhões em 2020, contra US$ 4 bilhões em 2019. As exportações de algodão, que foram responsáveis por um aumento nas taxas de contêiner de backhaul em agosto, para mais de US$ 1 bilhão em valor total para embarques para a China, pela primeira vez em 2020.
Na costa oeste da América do Sul, o Chile é um grande exportador de cobre e outros metais devido à abundância de recursos minerais, porém depende de importações da Ásia para a maioria de seus bens de consumo, como dispositivos mecânicos e elétricos, roupas, automóveis e móveis, bem como matérias-primas como aço e plásticos. O Chile também tem importantes indústrias de exportação de frutas, nozes e frutos do mar que costumam viajar em contêineres refrigerados para a Ásia, mas a falta de equipamentos disponíveis nos portos chilenos restringiu esses embarques no primeiro semestre de 2021, semelhante às condições enfrentadas pelos exportadores agrícolas dos Estados Unidos.
O levantamento da Platts mostrou que as exportações de frutas e nozes do Chile para a China cresceram de US$ 1,96 bilhão em 2019 para US$ 2,16 bilhões em 2020, mas os volumes gerais de exportação de contêineres da costa oeste da América do Sul para o norte da Ásia caíram para 444.000 TEUs nos seis primeiros meses de 2021, ante 483.000 TEUs para o mesmo período de seis meses em 2020. A avaliação é que a falta de espaço para embarque nos próximos meses estrangulou as exportações, já que as companhias de navegação preferem exportar contêineres vazios para a Ásia para embarcar bens de consumo nas rotas mais lucrativas.
Os custos globais de transporte de contêineres dispararam nos últimos 14 meses como resultado do congestionamento generalizado de portos, desequilíbrios de equipamentos e problemas de cadeia de suprimentos relacionados à pandemia, fatores-chave que foram sustentados por um nível imprevisto de elevada demanda do consumidor por produtos movimentados nesses equipamentos. O Platts Container Index, uma média ponderada das principais rotas globais, foi avaliado em 1º de setembro em US$ 7.483 por unidade equivalente de quarenta pés (FEU), um aumento de 370% no ano.
Os mercados sul-americanos não foram poupados da alta dos custos. Em maio de 2020, quando a demanda começou a aumentar, o custo de embarque de um contêiner do norte da Ásia para o Brasil foi estimado em torno de US$ 1.700/FEU a US$ 2.000/FEU, dependendo dos portos de embarque e descarga. Em 1º de setembro de 2021, o PCR31 (Norte da Ásia para a Costa Leste da América do Sul) foi avaliado pela primeira vez em US$ 11.200/FEU, um aumento de quase 560% em relação à taxa de mercado de US$ 1.700/FEU registrada em maio de 2020.
A Platts destacou que a recente expansão da cobertura de taxas de frete dá ao mercado uma visão das rotas comerciais cada vez mais significativas do norte da Ásia para a América do Sul. “Estamos muito satisfeitos em lançar essas novas avaliações, que não poderiam ser mais oportunas devido à força e volatilidade contínuas do mercado de frete de contêineres. Os participantes do mercado expressaram interesse em um índice de taxa da América do Sul, buscando maior transparência neste mercado em expansão”, comentou o diretor editorial de transporte global e frete da S&P Global Platts, Peter Norfolk.
Fonte: Revista Portos e Navios
