O programa de desenvolvimento e produção do jato de transporte militar KC-390, a cargo da Embraer, recebeu ontem um reforço de R$ 7,2 bilhões. A fabricante assinou um contrato nesse valor com a Aeronáutica para a produção seriada de 28 aeronaves. A assinatura ocorreu durante a inauguração oficial do hangar da linha de montagem do KC-390 na fábrica da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, com a participação da presidente Dilma Rousseff.
Até o momento, segundo a Aeronáutica, a fase de desenvolvimento do avião consumiu cerca de R$ 2 bilhões. Os recursos serão financiados com recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que também deve garantir uma verba suplementar para a fase final de desenvolvimento, ainda em negociação, segundo informou a Aeronáutica.
A efetivação do novo contrato, de acordo com a Embraer, ainda depende de documentação complementar. A produção dos aviões acontecerá ao longo dos próximos dez anos e a primeira entrega está programada para o fim de 2016.
O presidente da Copac (Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate), brigadeiro José Augusto Crepaldi, um dos principais articuladores da negociação do contrato de produção do KC-390 com a Embraer, disse que a decisão da presidente Dilma de antecipar a assinatura da encomenda foi positiva, pois evidencia para o mercado externo que o projeto é sólido e não tem riscos. A previsão inicial da FAB era de que o processo de negociação com a Embraer acontecesse no perãodo de abril e o fim de junho.
A assinatura do contrato tem um outro aspecto importante, já que abre caminho para a venda da aeronave para outros países, disse ontem o ministro da Defesa, Celso Amorim.
O presidente da Embraer Defesa & Segurança, Jackson Schneider, disse que a Embraer projeta conquistar entre 15% e 20% do mercado potencial de 728 aeronaves na categoria do KC-390 para os próximos 20 anos. “Queremos transformar em contratos firmes as atuais 32 cartas de intenção de compra assinadas com Colômbia, Argentina, República Tcheca, Portugal e Chile”, disse. Segundo Schneider, a Embraer está em contato com outros países para negociar a venda do KC-390.
O voo do primeiro protótipo é estimado para acontecer até o fim de outubro, segundo informou o brigadeiro Crepaldi. “Estamos negociando com o PAC uma verba suplementar para a finalização desta etapa de desenvolvimento, mas isso não será um impedimento para que o voo da aeronave aconteça ainda este ano.”
O programa do KC-390, segundo a Embraer, criou cerca de 1.500 empregos diretos na Embraer e outros 7.500 indiretos. Com a produção em série do avião, a empresa prevê que outros 1.100 empregos sejam criados, além de 5.500 indiretos. As duas fábricas da empresa, em São José dos Campos e Gavião Peixoto, participam do projeto.
O KC-390 vai substituir as aeronaves C-130 Hércules da FAB, fabricadas na década de 70. A fabricante do Hércules, a Lockheed Martin, está desenvolvendo um modelo que compete diretamente com o modelo da Embraer, o C-130 J, que é um turboélice. O modelo americano custa entre US$ 70 milhões e US$ 100 milhões. A Embraer garante que o KC-390 terá um custo operacional mais baixo que o concorrente.
“Uma das coisas mais importantes desse projeto é que o desenvolvimento de engenharia é 100% nacional, feito a partir de requisitos da FAB. Esse conhecimento não se adquire de uma hora para outra”, disse o presidente da Copac.
“Além da complexidade do avião em si, o KC-390 é um programa com dimensões geopolíticas e características inovadoras”, afirmou o diretor-presidente da Embraer, Frederico Fleury Curado.
Durante a inauguração, Dilma Rousseff disse que o Brasil é “um país de craques no futebol e na tecnologia”, numa referência à Copa do Mundo. “Somos um país de craques no futebol e na tecnologia, que tem o domínio do conhecimento e é capaz de produzir um avião do porte do KC-390”, afirmou a presidente.