O novo ano trouxe sensíveis mudanças para um dos principais terminais de contêineres do Porto de Santos, o da Embraport.
ENTREVISTA Dallas Hampton .Novo diretor-presidente da DP World Santos
Localizado na Margem Esquerda do complexo marítimo, a unidade privada agora tem uma nova denominação. Chama-se DP World Santos, reforçando a marca de seu controlador, o operado r portuário internacional Dubai Ports World. E conta ainda com um novo diretor-presidente. Após seis anos no cargo, o holandês Ernst Schulze foi convidado para assumir uma nova unidade da DP World. Em seu lugar, assumiu o executivo australiano Dadas Hampton, graduado em Administração de Empresas, Logística e Segurança Ocupacional e com ampla experiência na indústria portuária e logística. Em entrevista exclusiva para A Tribuna, ele fala sobre seus desafios à frente da DP World Santos e revela que pretende diversificar as operações da unidade. Confira.
O sr. assume a do world Santos em um momento especial. O terminal ganha um novo nome, uma nova marca a ser apresentada ao mercado e à comunidade. E a economia brasileira começa a se recuperar. Apesar disso, a concorrência entre terminais de contêineres no Porto de Santos é cada vez maior. Nesse cenário, quais seus planos para a DP World Santos?
Eu concordo com essa análise. Nos últimos anos, o comércio exterior brasileiro sofreu uma queda, a movimentação caiu significativamente, devido aos problemas econômicos do País. Mas estamos percebendo indícios do início de uma recuperação da economia. Se você acompanha as projeções do FMI ou conversa com pessoas do setor, todos apostam que o Brasil inicia um caminho positivo. Não acredito que haverá um forte crescimento, mas a economia deve se recuperar gradualmente. E isso me impulsiona.
Como?
Há um desafio local aqui. Temos um grande número de operadores e instalações com capacidades ociosas. E no setor de navegação, há várias mudanças, com compras e fusões entre as empresas. E não se sabe como isso afetará o mercado nos próximos meses. Mas acredito que o futuro da DP World Santos continuará tendo como base as operações de contêineres. Nesse caso, temos algumas opções. Podemos continuar nossas operações e elas podem crescer organicamente. Ou podemos buscar novas oportunidades de negócios. Essas são ações que ainda estudamos. Ainda estamos definindo nossa estratégia. Estamos em um período de transição.
Que novas oportunidades de negócios são essas? Atrair novas cargas? Trabalhar com serviços complementares à movimentação de contêineres, como as operações de crossdocking, que já são realizadas? Vamos continuar operando contêineres, mas queremos diversificar os negócios. E há os serviços de agregação de valor. Essa é uma área interessante para nós. Eu não posso dizer, neste momento, se vamos investir mais nisso. Precisamos sentir mais o mercado. Mas vamos buscar ações complementares, novas atividades, mas que não restrinjam nossa capacidade de operar contêineres. Temos empresas que buscam berços de atracação, o que temos. E o caso das empresas de carga geral, granéis sólidos. São serviços que podemos explorar sem prejudicar nossas operações de contêineres.
É o caso da parceria firmada com a Fibria, que escoa parte de sua produção de celulose pelo terminal não?
Sim. Essa é uma operação extra que estamos realizando. E uma operação temporária, que pode se tomar permanente.
Quando sua estratégia estará definida e será colocada em prática?
Tão logo for possível. Não gostaria de definir um prazo. Mas penso que em alguns meses. O que posso dizer é que o contêiner continuará nossa prioridade número 1. Será nosso negócio principal. Mas vamos estudar o que mais podemos trazer para nosso terminal.
É sua 1º vez em Santos?
Em Santos e no Brasil.
Qual sua análise sobre o Porto de Santos? Qual o principal desafio do complexo?
E um porto fantástico, com um grande potencial. E grande e movimentado. E, sim, tem seus desafios. Para o Porto se desenvolver, ele terá de se preparar para receber grandes navios, navios de maiores dimensões, navios com 366 metros (de comprimento) ou mais. E, claro, isso envolve dragagem (do canal de navegação e dos berços). E é importante que esse desafio seja enfrentado pela Autoridade Portuária, pois preparar o Porto para esses navios não vai ajudar apenas a DP World Santos, mas todos os terminais. Neste momento, não sei quanto tempo irá levar para que Santos receba esses navios de 366 metros. Mas eles virão e temos de estar preparados.
“Para o Porto se desenvolver, ele terá de se preparar para receber grandes navios”
Fonte: A TRIBUNA (SP)