Com a volta das empresas ao mercado externo de dívida no mês de julho, as emissões corporativas este ano já somam US$ 20,7 bilhões. O volume, que inclui duas operações fechadas ontem, é 37% superior ao observado nos sete primeiros meses de 2009, quando captações externas de empresas somaram US$ 15,080 bilhões. Levando-se em consideração também emissões soberanas, o volume de captação em sete meses este ano chega a US$ 21,4 bilhões – o maior para o perãodo da série histórica acompanhada pelo Valor Data , iniciada em 2001.
Somente em julho, mês que marcou o fim do perãodo de jejum do mercado internacional deste ano, empresas emitiram US$ 3,1 bilhões – volume levantado em operações do banco Cruzeiro do Sul, Banco Mercantil, Gol, CSN, Banco Votorantim e Braskem.
Ontem, mais duas operações foram concluídas: Braskem e Banco Mercantil reabriram seus bônus e captaram, respectivamente, US$ 350 milhões e US$ 50 milhões. Também o frigorífico JBS está muito perto de concluir a operação. Segundo fontes do mercado, o livro para a operação foi aberto na terça-feira. Profissionais estimam que há espaço para uma captação superior a US$ 300 milhões.
No caso da Braskem, trata-se de notas seniores de 10 anos, com yield de 6,875% ao ano. Segundo a empresa, os papéis foram emitidos com new issue oremium (prêmio de risco em relação ao mercado secundário) de 12,5 pontos base, de acordo com a própria empresa. A operação é a reabertura de uma emissão similar concluída em maio, quando a Braskem captou US$ 400 milhões.
Já o Mercantil reabriu a emissão de US$ 200 milhões em dívida subordinada de 10 anos, realizada no início de julho. Segundo o diretor financeiro do banco, Cristiano Gomes, a nova tranche, de US$ 50 milhões, foi emitida com ágio de 1%, o que reduziu a taxa efetiva do banco de 9,625%, na primeira emissão, para 9,5%. A reabertura teve como objetivo atender a uma demanda específica feita por investidores americanos – ou seja, foi feita sob encomenda, situação conhecida como reverse enquiry. Segundo Gomes, como a emissão dos bônus de 10 anos contou com uma demanda três vezes superior ao volume emitido, o banco enxergou oportunidade de reabrir a operação. Fizemos essa emissão com base na regra 144-A, que permite que seja atendido apenas o mercado americano. Como, até então, nossos papéis estavam concentrados na Europa e Ásia, consideramos adequado diversificar a captação, explica.
Gomes observa que, embora o apetite por papéis brasileiros seja notório, é fato também que o custo nominal das operações é maior do que o observado em abril. O mercado absorveu a ideia de que os preços são mais altos hoje, em função da instabilidade na Europa. O investidor ainda está seletivo, explica.