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Clippings - 27/11/20

Empresa brasileira disputa concessão da maior Hidrovia da América Latina

Hidrovia do Rio Paraná pode beneficiar a comercialização do minério e da soja pela região Sul do Brasil.

A Hidrovia do Rio Paraná, a maior da América Latina e primeira a ser privatizada na região terá, em um segundo processo de concessão realizado pelo governo da Argentina, a disputa entre a empresa brasileira DTA Engenharia e mais cinco estrangeiras: duas empresas belgas, duas holandesas e a chinesa Shanghai Dredging, do Grupo CCCC (China Communications Construction Company). As empresas chinesas já dominam muitos setores da economia daquele país, sobretudo o mercado de grãos.

No entanto, de acordo com o presidente da DTA, João Acácio, por se tratar de um projeto de interesse dos países do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) e, conforme as regras vigentes, a prioridade deverá ser dada a empresas pertencentes a esse mercado. Pela Hidrovia é exportada a produção agrícola de quatro países membros do MERCOSUL: Argentina, Paraguai e Brasil, como membros plenos, e a Bolívia, membro associado. Segundo Acácio, em função desse empreendimento, a DTA já planeja a compra de equipamentos pesados.

O processo licitatório da hidrovia deverá ser realizado no início de 2021, com previsão de 25 anos de contrato. O projeto visa aprofundar e manter cerca de 1.200 quilômetros de rio, entre a confluência dos rios Paraná, Paraguai e Rio da Prata. A profundidade deve passar dos 10,30 para 12,80 metros. O rio corta 25 portos e terminais e movimenta 92 milhões de toneladas de grãos produzidos na Argentina.

Acácio destacou que, embora a licitação esteja sendo feita pelo governo da Argentina, a hidrovia tem grande relevância econômica para o Brasil, especialmente para região Sul, com o comércio de minério e soja. “A produção do centro da América do Sul poderá chegar ao Atlântico Sul por meio da Hidrovia”, disse.

A Hidrovia do Rio Paraná foi o primeiro projeto de concessão da América Latina, que teve início em 1995. Sob responsabilidade da empresa belga Jan De Nul e da empresa argentina EMEPA, o projeto começou com a dragagem de um trecho de 380 quilômetros. Com a demanda, foram sendo adicionados outros trechos para serem dragados. Ao final da concessão, que se encerrou este ano, praticamente toda a extensão do rio foi dragado. Foram cerca de 400 milhões de tonelada de sedimentos retirados.

Em breve, o consórcio DTA O’Martins, do qual a DTA Engenharia faz parte, deverá começar a obra do derrocamento do Pedro do Lourenço, no Rio Tocantins, gerando um nova hidrovia. Esta, inclusive, já está no radar do governo federal para ser privatizada. Além disso, a empresa também compõe outro consórcio contratado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a realização dos estudos de desestatização dos Portos de Santos e São Sebastião. Atualmente, a empresa detém também os dois maiores contratos de manutenção nos Portos de Paranaguá e Santos.

Fonte: Revista Portos e Navios