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Clippings - 09/03/21

Empresas da indústria marítima investem em programas de equidade de gênero

Embora ainda seja pequeno o número de mulheres em setores de logística, navegação e offshore, empresas  observam crescimento fruto de ações de inclusão.

Empresas de setores importantes da economia brasileira estão se mobilizando para promover a inclusão de mulheres em várias funções, incluindo de liderança. Setores como de navegação e óleo e gás, por exemplo, ocupados em sua grande maioria por homens, correm atrás de acompanhar as transformações exigidas pela sociedade e elaboram ações para a ampliação da equidade de gênero e de uma maior diversidade no ambiente interno.

A Petrobras lançou, em dezembro de 2020, o chamado Plano de Equidade de Gênero, em consonância com o Plano Estratégico 2021-2025 da companhia. Entre as principais ações da iniciativa estão o Programa de Mentoria para Lideranças Femininas, realizando o monitoramento de dados e a criação de grupos de afinidades, bem como a capacitação e sensibilização a serem consolidadas este ano.

Segundo a empresa, atualmente, do total de lideres em todas as posições hierárquicas, as mulheres representam 15%, enquanto o total de mulheres entre os empregados é de 17%. Nos dois últimos anos, o número de gerentes executivas aumentou de cinco para 14. O crescimento também se verifica no percentual maior entre mulheres que estão avançando na carreira dentro da companhia.



Em 2019, a proporção de homens e mulheres era de 84% e 16%, respectivamente. Já a proporção de avanço de nível na carreira foi de 81% para homens, e 19% para mulheres. A empresa vem também construindo uma política que visa mitigar com as desigualdades salariais, que atualmente dentro da empresa é de 0,98%.

A Ocyan também estruturou um programa de diversidade e inclusão em 2019. À época foi criado um grupo de trabalho para discutir a questão. Além disso, desde o início desde ano, a estrutura de governança do programa conta com a mentoria de três vice-presidentes com o objetivo de aumentar a trova de experiências, bem como aproximas a alta liderança da companhia com o tema.

O trabalho de equidade tem quatro norteadores estratégicos: a atração e recrutamento de mulheres; o desenvolvimento de carreira; a sensibilização de lideranças, além da busca pela bem-estar das mulheres a bordo das embarcações da Ocyan.

A empresa busca ainda assegurar a diversidade por meio de processos seletivos mais inclusivos, aumentando a representatividade não apenas de mulheres, mas também de negros em posições de liderança. Para tanto, a meta é priorizar a contratação de, no mínimo, 30% de mulheres para vagas que forem abertas pela empresa em 2021, chegando a 40% em 2023. O objetivo é ampliar o número de mulheres em todos os setores da companhia.

De acordo com a Ocyan, atualmente a empresa possui cerca de 1.800 integrantes, sendo 18% mulheres. Já com relação a cargos de liderança, 30% são ocupados por mulheres. No ambiente onshore, por sua vez, esse quantitativo aumenta para 42%. Apesar da pandemia, a empresa cresceu seis pontos percentuais na quantidade de mulheres contratadas em relação a 2019.

Mais uma empresa de logística que vem investindo em ações de equidade é a VLI Logística. Um dos programas de porta de entrada, como estágio, já conta com a inserção mínima de 50% de mulheres. Além disso, de acordo com a empresa, indicadores do ano passado revelaram que 55% das vagas do quadro de funcionário, incluindo posições superiores, foram ocupados por mulheres. Em 2020 ainda, 30% das contratações foram do público feminino

A VLI é signatária do compromisso “Equidade é Prioridade”, da Organização das Nações Unidas (ONU), por meio do Pacto Global que tem como objetivo promover a equidade de gênero nas empresas. Ele estabelece uma meta mínima de 30% de mulheres em posições de alta liderança até 2025 e, opcionalmente 50% até 2030.

Para a Ocyan o mercado tem ficado mais atento ao tema, embora ainda tenha um caminho pela frente para percorrer. A empresa afirmou a agenda da ESG ganhou força ano passado e que a orientação para este tema não é mais um diferencial, mas sim, um ponto de partida. “A empresa que não se adequar não apenas vai ficar para trás, como terá dificuldade na atração de investimentos e talentos de modo geral”, disse companhia. Além disso, pontuou que a sociedade cobra das empresas uma postura mais assertiva com relação à diversidade e inclusão.

A Petrobras também destacou que é possível observar vários momentos da indústria de petróleo e gás com o objetivo de ampliar a representatividade feminina. A estatal afirmou que o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) tem realizado iniciativas importantes nesse sentido.

Para a presidente da WISTA Brasil, Flávia Maia ressaltou, durante Webinar ‘Demurrage sob a ótica da RN-18/Antaq’, promovido pela Portos e Navios, realizado nesta segunda-feira (08), a importância de incentivar a presença das mulheres no setor marítimo, portuário e offshore. O objetivo da entidade é dar visibilidade a mulheres em cargos de liderança ou não naqueles setores, com o objetivo de incentivar que mais mulheres sigam essa carreira.

Para tanto, uma das bandeiras da WISTA Brasil é quantificar a presença feminina naqueles setores. Segundo Flávia, a falta de um número apurado como uma fotografia da realidade pode tornar mais difícil a mudança do atual contexto. “Sem indicadores a mudança é lenta”, pontuou. Assim, a entidade solicita que tanto a Agência Nacional de Transporte Aquaviários (Antaq), quanto demais entidades do setor, participam do levantamento desses dados. “Precisamos de dados no Brasil para todas as mulheres possam enxergar as possibilidade e como podem chegar lá”, completou a presidente.

Fonte: Revista Portos e Navios