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Com a pandemia, as empresas precisaram se adaptar para preservar a tripulação e as operações.
O setor de óleo e gás e toda a cadeia em torno dele foi uma das mais afetadas pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19), sobretudo devido à retração do consumo de derivados em escala global. Um dos segmentos que compõe esta cadeia e que sofreu com o impacto da doença foi o apoio marítimo. De acordo com a vice-presidente executiva da Associação Brasileira das Empresas de Apoio Marítimo (Abeam), Lilian Schaefer, para continuar operando no Brasil com todas as restrições exigidas para o controle do avanço do vírus, as empresas aumentaram em 30% os custos, mesmo com a queda de receita.
Lilian afirmou que a elevação dos custos se deu em razão das adaptações que as empresas precisaram fazer para operarem em segurança. Além disso, elas também sentiram o impacto da política de resiliência da Petrobras que, também visando se adaptar ao atual contexto suspendeu contratos, reduziu taxas de afretamentos, entre outras ações.
O crescimento do setor, que vem enfrentando uma crise desde 2014, estava prevista para acontecer a partir do final de 2020, mas foi postergado para final do próximo ano também devido à pandemia. “No entanto vamos prosseguir sem redução de frota e continuando com nossa bandeira eficiente”, disse Lilian durante Webinar do lançamento do Panorama Naval no Rio de Janeiro 2020, realizando pela Firjan, nesta quinta-feira (10).
O setor de apoio marítimo tem um peso importante para a indústria. Ela afirmou que de 1997, quanto foi criado o marco regulatório da navegação (Lei 9432/97), até 2019 foram construídas 210 embarcações nos estaleiros brasileiros. “Temos capacidade para atender a demanda”, disse Lilian.
Entretanto, de acordo com ela, desde 2014 houve uma retração significativa no número de embarcações de apoio de 500 para 365 atualmente. Deste número, 300 estão operando para a Petrobras e 65 aguardam contratação e já estão na expectativa do novo ciclo de leilões de óleo e gás. Lilian destacou que embora 90% das contratações de apoio marítimo no Brasil sejam realizadas pela Petrobras, esse quadro vem mudando desde o início dos ciclos dos leilões que permitiu novos entrantes no setor.
O diretor da Associação Brasileira das Empresas de Serviço de Petróleo (Abespetro), Adyr Tourinho, também presente ao evento, destacou que o cenário no Brasil já vem mudando com a presença de vários operadores estrangeiros e que a tendência é que aumente com as rodadas de leilões, e com a política de desinvestimento da Petrobras. Segundo ele ainda, a entrada de novas petroleiras vai possibilitar a revitalização de campos marginais com um retorno em curto prazo.
No entanto, ele destacou a necessidade de segurança jurídica para o setor. “É importante que as regras sejam claras e que não sejam modificadas a todo o momento”, frisou Tourinho. Apesar de o mundo já vivenciar um processo de transição energética ele enfatiza que o Brasil não poder perder a janela de oportunidade do setor de óleo e gás. Ele informou que os investimentos com os leilões devem chegar à ordem dos 500 bilhões de dólares e de 100 bilhões de dólares apenas de receita para o governo até 2054.
Fonte: Revista Portos e Navios
