Arquivo
Evento online reuniu empresas e entidades dos setores de tecnologia e marítimo para a criação do cluster de apoio ao desenvolvimento de tecnologias para navios.
Empresas, institutos de pesquisa em inovação, universidades e demais entidades do setor marítimo e tecnológico lançaram, nesta terça-feira (01), a formação do Cluster Brasileiro de Inteligência Artificial para Navios. O evento online contou com a presença do ministro de Ciência e Tecnologia do Brasil, Marcos Pontes, que garantiu parceira na criação do novo cluster, além do financiamento em projetos de inovação, sobretudo, após a aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLP 135/2020), em agosto deste ano. O PLP amplia a destinação de recursos para ciência, tecnologia e inovação.
Pontes destacou a importância da inteligência artificial para diversos setores da economia do campo, da cidade, assim como também do mar. Ele afirmou que a pasta vem utilizando a inteligência artificial em alguns temas prioritários como em tecnologias habilitadoras, biotecnologias, nanotecnologia, entre outros, e frisou que o futuro de todas as esferas da economia está ligado a essas novas tecnologias. “Não há como ter retrocessos”, pontuou.
Vários países já estão utilizando a inteligência artificial para a construção de navios autônomos, e o Brasil não fica para trás. Empresas e instituições no país, que agora passam a compor o cluster, estão construindo e operacionalizando embarcações, e produzindo outras tecnologias que podem ser utilizadas no setor de navegação comercial assim como também de defesa. A busca é pela oferta de mais eficiência, segurança e competitividade para o setor de marítimo. Portanto, o cluster visa reunir todas essas empresas e entidades para o apoio e promoção no desenvolvimento de tecnologias para o segmento.
Uma dessas empresas é a TideWise, que nesta semana completou 50 dias de operação de uma embarcação autônoma com tecnologia totalmente brasileira. A empresa atua no setor portuário, costeiro e offshore e, recentemente, vem projetando uma embarcação 100% autônoma, isto é, sem ser tripulada para a Marinha do Brasil. “O cluster está unindo tudo o que precisa para alavancar o setor”, frisou o diretor da empresa Rafael Coelho.
Ele lembrou que o Departamento de Portos e Costas da Marinha (DPC), criou um regulamento provisório voltado para embarcações autônomas no país. A norma é provisória, pois internacionalmente ainda não existe um regramento definido a cerca da operacionalização de embarcações autônomas.
O chefe do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Oceânica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Jean Caprace, afirmou durante o evento que a instituição também vem realizando projetos de inteligência artificial voltados para embarcações autônomas. Vem sendo desenvolvido o Autonomous Underwater Vehicle (AUV) um submarino voltado para o setor de exploração de óleo e gás. Além de um Unmanned Surface Vehicle (USV), uma embarcação de superfície autônoma não tripulada de pequeno porte.
O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) também vem desenvolvendo projetos na área. O SENAI de Salvador (BA), por exemplo, está com o projeto FlatFish, em parceria com Shell Brasil. O FlatFish é um submarino autônomo destinado à inspeção de ativos offshore. A Shell já fez o processo de licenciamento da tecnologia que deve chegar ao mercado em 2022.
Estiveram presentes ainda ao evento o senador Esperidião Amin e a deputada federal Ângela Amin que estão elaborando Projeto de Lei de regulamentação para o setor, além de outras empresas e instituições que também devem integrar o Cluster Brasileiro de Inteligência Artificial para Navios.
Fonte: Revista Portos e Navios
