Com os fretes ainda reduzidos em cerca de 50% devido à crise econômica mundial, o segmento marítimo de transporte ainda sofre reflexos da desaceleração global. Apesar disso, o setor aposta na renovação da frota e no aumento de volume de cargas para diminuir os custos e se recuperar. A expectativa foi apresentada pelo Centro Nacional de Navegação (Centronave).
Além da redução das tarifas, a crise provocou uma queda na movimentação. Segundo dados da consultoria francesa Alphaliner, cerca de 500 embarcações deixaram de operar por falta de cargas. O prejuízo chegou a US$ 20bilhões.
Apesar da diminuição brusca na movimentação, o diretor executivo do Centronave, Elias Gedeon, garante que o Brasil não sentiu tanto os efeitos dessa redução no transporte, pois é um grande exportador de produtos agrícolas. O agronegócios foi e continua sendo o grande sustentáculo da economia brasileira e está dando certa imunidade contra a crise internacional, enfatiza Gedeon.
Para se recuperar da crise, o diretor explica que o aumento da competitividade originado pela redução dos fretes trouxe um incremento na eficiência. Diante deste cenário, há uma aposta no aumento do volume de mercadorias transportadas.
O próprio mercado vai ajudar. A eficiência vai dar mais volume, embora os fretes ainda não se recuperem. Ou você vende menos e cobra mais ou cobra meno se vende mais, disse.
A renovação da frota é outro indicativo para a redução dos custos. Conforme o Centronave, as consultorias internacionais prevêem que 100 porta contêineres sairão dos estaleiros este ano e serão incorporados às frotas de armadores em todos os continentes, especialmente na Ásia.
Para completar esse ganho, Gedeon defende melhorias físicas e legais nos acessos aos terminais. A primeira indica investimentos no transporte intermodal, em novos berços de atracação e em modernização de equipamentos portuários. A segunda implica redução drástica da burocracia e simplificação de procedimentos. Programas como o porto sem papel devem ser expandidos e estimulados.