A onda de projetos estruturantes no Nordeste nos últimos anos trouxe junto um significativo volume de investimentos na formação de uma cadeia de fornecedores e prestadores de serviços. O movimento pode ser detectado pelo crescimento dos empréstimos dos dois principais agentes financiadores da região. Em 2013, os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) atingiram R$ 25,7 bilhões, crescimento de 22% ante 2012, o que representa uma participação da ordem de 13,5% no desembolso total da instituição – valor quase 5 vezes superior ao registrado em 2007. Por sua vez, o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) injetou na economia regional R$ 23,2 bilhões, com foco voltado nos micro, pequenos e médios produtores rurais e urbanos. Apenas em 2013, o BNB liberou recursos para mais de 25 mil micro e pequenas empresas na região.
No perãodo entre 2007 e 2013, o BNDES desembolsou cerca de R$ 117,7 bilhões no Nordeste, com predomínio de recursos nos Estados da Bahia (28,9%) e Pernambuco (26,9%). “Foram projetos de grande porte nas áreas de petróleo e gás e também na construção de estaleiros em Pernambuco”, diz Paulo Ferraz, chefe de departamento do BNDES para o Nordeste, citando o exemplo do Estaleiro Atlântico Sul, obra da Camargo Corrêa e da Queiroz Galvão, situado em Ipojuca (PE), que recebeu, em 2010, financiamento de R$ 1,3 bilhão, montante destinado à construção de sete navios-tanque encomendados pela Transpetro.
Segundo Ferraz, o principal indutor dos financiamentos foi a administração pública por meio de planos apresentados pelos governos estaduais. Em Pernambuco, o banco liberou R$ 10,5 bilhões para a construção da Refinaria Abreu e Lima. A iniciativa privada também foi contemplada pelo banco. A futura fábrica da Fiat, em Goiana (PE) recebeu recursos de R$ 3,4 bilhões. Além dos dois maiores Estados, Ferraz destaca ainda os investimentos em outras regiões, principalmente o Maranhão, que recebeu plantas de celulose, como a da companhia Suzano, instalada em Imperatriz (MA), que recebeu R$ 2,73 bilhões.
“Apoiamos também projetos de energia eólica”, diz Ferraz. Entre 2007 e 2013, o banco liberou R$ 7,7 bilhões em parques eólicos no Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia. No perãodo entre 2007 e 2013, o BNDES liberou mais de 572 mil financiamentos na região. Ferraz justifica o grande volume de financiamentos a uma estratégia do banco em se aproximar das pequenas e médias empresas. Nestes casos, os financiamentos vieram em sua maioria por meio do cartão BNDES e de programas como o Finame, grande parte com valores abaixo de R$ 20 milhões, fechados por meio dos repassadores.
Apesar do crescimento morno da economia, o BNB pretende ampliar o seu apoio às pequenas e micro empresas do Nordeste. Segundo Stélio Gama Lyra Junior, diretor de desenvolvimento sustentável e microfinança, o banco pretende liberar este ano R$ 3,3 bilhões com linhas de crédito de longo e curto prazos, tendo já registrado desembolsos superiores a R$ 680 milhões no primeiro quadrimestre. O prazo máximo é de até 12 anos, com quatro de carência, conforme o investimento a ser realizado.
O BNB oferece linhas especiais para micro empreendedores urbanos e rurais. Por meio do programa de microcrédito Crediamigo, vinculado ao Programa Nacional de Microcrédito (Crescer), o BNB deve liberar este ano R$ 2,65 bilhões em empréstimos de curto prazo, com taxas de 5% ao ano. O limite dos empréstimos é de R$ 15 mil e prazo para pagamento de 12 meses, em caso de capital de giro, e de 36 meses para investimento. Segundo Lyra, esta linha de crédito tem cerca de 1,7 milhão de clientes, com uma média diária de 14 mil operações/dia, com valor médio de R$ 1,2 mil. “A maioria é voltada para o comércio, com predominância feminina, caso de vendedoras ambulantes ou donas de pequenas lojas”, diz.
Na área de microcrédito rural, o BNB oferece o programa Agroamigo, criado em 2005 e considerado o maior do ramo no Brasil. Segundo Lyra, em 2014 foram liberados cerca de R$ 430 milhões distribuídos em mais de 126 mil operações para agricultores familiares. O valor máximo do empréstimo é de R$ 4 mil. “O perfil vai desde o agricultor que usa o dinheiro para compra de animais ou para investir na sua plantação de milho até para mulheres que produzem doces em casa”, diz.
Um ponto que chama a atenção, revela Lyra, é o fato de boa parte das pessoas agraciadas com os empréstimos serem beneficiárias do programa Bolsa Família. “Uma das características do Agroamigo é estar integrado aos programas e políticas governamentais de amparo às famílias necessitadas”, afirma. No ano passado, o programa liberou recursos da ordem de R$ 1,253 bilhão em mais de 735 mil operações, o maior volume da história. Desde a sua criação, foram disponibilizados mais de R$ 2 bilhões. O Agroamigo é operacionalizado por meio de uma parceria entre o BNB, o Instituto Nordeste Cidadania e o Ministério do Desenvolvimento Agrário.