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Clippings - 11/04/24

Enauta e 3R Petroleum assinam MoU para combinação de negócios

A transação prevê que a Enauta seja incorporada pela 3R, de modo que o capital social da nova companhia seja representado por 53% de acionistas da 3R e 47% de acionistas da Enauta

Por Ana Luisa Egues

A Enauta assinou um Memorando de Entendimentos com a 3R Petroleum e a Maha Energy para a possível combinação de negócios entre a Enauta e a 3R, informou a primeira companhia em comunicado divulgado no início desta quarta-feira (10). 

O MoU estabelece, em especial, as premissas, termos e condições gerais que regem a potencial transação, incluindo aquelas referentes à realização de troca de participação atualmente detida pela Maha em sociedade controlada pela 3R por participação direta na 3R (roll-up); e a exclusividade de diligência e de negociação por 30 dias, prorrogável por igual período. 

A transação prevê que a Enauta seja incorporada pela 3R. Desta forma, os acionistas da Enauta receberão novas ações da 3R, de modo que o capital social da nova companhia integrada será representado por 53% de acionistas da 3R e 47% de acionistas da Enauta (sujeito a ajustes). 

A combinação prevê, ainda, o roll-up da participação de 15% da Maha na 3R Offshore, subsidiária da 3R Petroleum focada na gestão dos ativos localizados no offshore, de modo que ela receba 2,17% da nova companhia integrada. Essa ação está sujeita aos termos e condições previstos no MoU, incluindo a emissão de fairness opinion

A Maha Energy possui 5% das ações da 3R Petroleum e 15% das ações da 3R Offshore, subsidiária que é operada pela 3R com 85% de participação. A 3R Offshore possui, em seu portfólio, os Polos Peroá, na Bacia do Espírito Santo, e Papa-Terra, na Bacia de Campos, que são operados pela 3R com 85% e 53,13% de participação, respectivamente. 

A estrutura da transação ainda está sujeita a alterações e ajustes usuais para esse tipo de operação e em decorrência de diligência, afirma a Enauta no comunicado. E a implementação da transação está condicionada à aprovação pelos acionistas da Enauta e da 3R e à obtenção das aprovações legais e regulatórias, como o Cade, entre outras condições. 

A combinação de negócios entre Enauta e 3R foi sugerida pela Enauta em comunicado divulgado no início deste mês, com o objetivo de criar “uma das principais e mais diversificadas empresas independentes de petróleo e gás na América Latina”, segundo a Enauta. 

Esse não foi o primeiro pedido de fusão feito à 3R Petroleum neste ano. Em janeiro, a Maha Energy sugeriu, em carta enviada à 3R, que a companhia combinasse seus ativos com a PetroReconcavo, de modo que os ativos onshore da 3R sejam repassados para a PetroReconcavo e a 3R direcione os seus esforços para os ativos offshore – em resumo. 

Análise

A possível fusão entre Enauta e 3R Petroleum tem tudo para definir dois departamentos em uma mesma empresa, sendo um com o objetivo marítimo e outro com o objetivo terrestre, analisa Magda Chambriard, diretora da Assessoria Fiscal da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), ex-diretora geral da ANP e sócia da Chambriard Engenharia e Energia, em resposta à Brasil Energia.

De acordo com Chambriard, a 3R possui um portfólio muito diverso, que vai de pequenos campos terrestres até ativos no offshore, como Papa-Terra, na Bacia de Campos, e isso dificulta a gestão de ativos de uma forma “mais uniforme”. “Creio que a junção com a Enauta, que vem se especializando em operação no mar, é vantajosa. Ela, no mínimo, evita a duplicação de infraestruturas. Por que a 3R não se beneficiaria delas?”, afirmou. 

Além disso, a Enauta possui excelentes técnicos oriundos da Petrobras, “com muita experiência na operação e no desenho de projetos marítimos”, afirma Magda. Do lado da Enauta, a possível fusão seria benéfica uma vez que a companhia possui blocos em terra na Bacia do Paraná, por exemplo, de modo que uma possível parceria com a 3R, “que se pretende ser uma empresa especializada em terra”, poderia ajudar.

De um modo geral, Chambriard acredita que o movimento em direção à Enauta foi bom e necessário, mas acha que um outro movimento, de merge, deverá ser feito pela 3R em relação a ativos de terra.

“E isso me lembra o grupo Ubuntu [do qual a Mandacaru Energia faz parte], que está se especializando com foco nos campos de pequeno porte. A 3R está precisando, de uma certa forma, assumir o nicho de mercado que ela pretende. Ela precisa identificar se quer operar, no onshore, campos grandes ou menores. E aí cabe um outro socorro, de uma empresa menor, para assumir esses ativos de menor porte”, finaliza. 

Fonte: Revista Brasil Energia