Para empresas de grande porte, a entrada no ramo petroleiro depende de uma capacitação técnica de alto nível e do desenvolvimento de tecnologia específica para o setor. Única grande fornecedora de equipamentos de exploração de petróleo em águas profundas instalada no Paraná, a Aker Solutions é um exemplo clássico.
A companhia de origem norueguesa é especializada na produção de equipamentos pesados e tem uma divisão de exploração de petróleo em alto mar que desenvolve projetos complexos. Com essa estrutura, venceu licitações da Petrobras, o que viabilizou sua operação em Curitiba, já que a estatal exige um certo grau de nacionalização dos fornecedores. Os projetos da petroleira brasileira são, portanto, um indutor de investimentos de seus parceiros.
Outro exemplo de como funciona esse processo é a criação do estaleiro Atlântico Sul, em Pernambuco. A Petrobras queria fazer uma grande encomenda de embarcações, com alto índice de nacionalização. Dois grupos brasileiros de peso, Queiroz Galvão e Camargo Corrêa, se uniram à coreana Samsung Heavy Industries, que tem experiência na indústria naval, e fizeram uma proposta na licitação da petroleira. Levaram dez embarcações de uma vez, o que viabilizou um investimento de R$ 1,4 bilhão na instalação do estaleiro. O projeto contou com um pacote de incentivos do governo de Pernambuco, que também se envolveu na capacitação da mão de obra – são 3 mil empregos diretos em uma região que não tinha tradição na área naval.