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Clippings - 23/09/10

Energia solar e eólica podem encerrar era do petróleo, diz Nobel

A continuidade da pesquisa e desenvolvimento no campo das energias alternativas poderá resultar em uma nova era na história humana, em que duas fontes de energia renovável – a energia solar e a energia eólica – vão se tornar as principais fontes de energia na Terra.

A opinião contundente não é de nenhum ambientalista de plantão, mas do Prêmio Nobel de Química de 1998, Walter Kohn.

Falando a uma plateia seleta na Sociedade Americana de Química, Kohn destacou que petróleo e gás natural abastecem hoje cerca de 60 por cento do consumo global de energia.

Para ele, essa tendência deverá crescer ainda por um perãodo de 10 a 30 anos, seguindo-se um rápido declínio no consumo de combustíveis fósseis.

Desafios energéticos

Essas tendências têm criado dois desafios sem precedentes em nível global, disse Kohn. Um é a ameaça global de escassez de energia, o que é até aceitável. O outro é o perigo iminente, este inaceitável, do aquecimento global e suas consequências.

Kohn observou que estes desafios exigem uma ampla variedade de respostas. A mais óbvia é a continuidade do progresso científico e tecnológico, criando fontes alternativas de energia que sejam abundantes, acessíveis, seguras, limpas e livres de carbono, disse ele.

Como os desafios são globais por natureza, o trabalho científico e tecnológico deverá ter um máximo de cooperação internacional, que felizmente está começando a evoluir, disse ele.

Era do Sol/Vento

Na última década, a produção mundial de energia fotovoltaica multiplicou-se por um fator de 90, e a energia eólica por um fator de cerca de 10.

Kohn espera a continuidade do crescimento vigoroso dessas duas energias efetivamente inesgotáveis durante a próxima década e além, levando assim a uma nova era, a era do Sol/Vento, como ele chama, substituindo a era do petróleo.

Outra questão importante, segundo ele, que compete principalmente aos países desenvolvidos, cuja população praticamente se estabilizou, é a redução no consumo de energia per capita.

Um exemplo marcante disso é o consumo per capita de gasolina nos Estados Unidos, cerca de 5 vezes superior à média global, disse ele. O mundo menos desenvolvido, compreensivelmente, pretende trazer seu padrão de vida a um nível semelhante ao dos países altamente desenvolvidos; em contrapartida, eles devem estabilizar suas populações crescentes.

Nota da Redação da REBIA – É bem preocupante que a tendência ao crescimento do consumo de combustíveis fósseis se mantenha ainda por 10-30 anos. Como também é bem preocupante que o cientista ache natural que os EUA consumam 5 vezes mais faolina per capita do que a média global (que inclui outros países desenvolvidos). Mas, mais do que tudo, é notável que a tal cooperação internacional em matéria de tecnologias para energias renováveis e eficiência energética smplesmente não exista, e a disseminação de novas tecnologias produzidas nos países desenvolvidos seja deixado ao sabor dos negócios convencionais, isto é, das patentes e oportunidades de investimentos com altas taxas de retorno para os investidores estrangeiros quando se trata de transferí-las para os países menos desenvolvidos.