
A Eneva firmou, na última quinta-feira (23/9), acordo de exclusividade e preferência com o grupo Vale Azul para a formação de uma joint venture visando o desenvolvimento e operação do Terminal Portuário de Macaé (Tepor). Se a operação for concretizada, a companhia independente deterá 60% das ações da empresa, em parceria com a Vale Azul (35%).
Segundo o acordo, a Eneva terá exclusividade no negócio até 30 de dezembro de 2022, período no qual a proprietária do projeto Tepor não poderá negociá-lo com outros interessados, e direito de preferência para efetivar a joint venture ou adquirir o Tepor entre 1º de janeiro de 2023 e 30 de dezembro de 2024.
Em resposta a questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), após matéria do Brazil Journal revelar o negócio, a Eneva declarou que a transação está condicionada a estudos técnicos e à avaliação de sua viabilidade financeira.
O acordo faz parte da estratégia de diversificação da companhia, que pretende expandir seus negócios para o Sudeste, desenvolvendo um hub de gás na região, com termelétricas, regaseificação de GNL e ainda a possibilidade de utilização de gás doméstico via Terminal de Cabiúnas e gasoduto Rota 2, lista o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Eneva, Marcelo Habibe.
“Adicionalmente, se concretizada, a transação dará à Eneva a opção de desenvolvimento de outros negócios no Tepor, como a distribuição de GNL em pequena escala (SSLNG), transbordo de óleo, líquidos e outras cargas”, declarou o executivo.
Submetida à análise da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) em agosto, a construção do Tepor é planejada desde 2012, primeiro pela Queiroz Galvão e depois pela EBTE Engenharia, do grupo Vale Azul. O projeto obteve licença ambiental no final de 2019.
Com investimentos previstos em R$ 7,2 bilhões, o Tepor contará com terminais para movimentação de granéis líquidos e GNL, apoio offshore e operações de transbordo de petróleo. O projeto prevê ainda a construção de uma UPGN na retroárea do terminal, que não faz parte das negociações entre Eneva e Vale Azul.
A Eneva combina a produção de gás natural no Maranhão e Amazonas à geração de energia elétrica, no modelo reservoir-to-wire. Em seu portfólio exploratório, opera 25 blocos, dos quais 17 estão localizados na Bacia do Parnaíba. As oito áreas restantes foram arrematadas no 2º Ciclo da Oferta Permanente, em 2020, sendo sete blocos exploratórios nas bacias do Amazonas e Paraná e a área de acumulação marginal de Juruá, na Bacia de Solimões.
Fonte: Revista Brasil Energia