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Clippings - 08/04/26

Enquadramento de embarcações é um dos desafios para eólicas no mar, aponta estudo

Trabalho coordenado pela Ocean Energy Pathway avalia que tratar operações por analogia ao regime de apoio marítimo não reflete integralmente especificidades técnicas dessas instalações offshore

Um estudo técnico recém-concluído aponta que um dos principais pontos para viabilizar o avanço das eólicas offshore no Brasil é o enquadramento regulatório das embarcações utilizadas nas diferentes fases dos projetos. A avaliação é que essas operações vêm sendo tratadas por analogia ao regime de apoio marítimo do setor de petróleo e gás, o que seria uma solução prática, mas que não reflete integralmente as especificidades técnicas desse tipo de instalação marítima.

O trabalho sugere ajustes regulatórios relacionados às embarcações de apoio logístico e aos regimes marítimo e fiscal aplicáveis ao setor. A iniciativa foi coordenada pela Ocean Energy Pathway (OEP) e desenvolvida e executada por uma equipe multidisciplinar do escritório Vieira Rezende Advogados, com o objetivo de subsidiar o processo de regulamentação em curso e ampliar a segurança jurídica para investimentos no país.

O estudo parte do reconhecimento dos avanços recentes na estruturação do marco das eólicas offshore no Brasil e aponta que o desafio agora é garantir sua
operacionalização eficiente. “O Brasil já estabeleceu as bases para o desenvolvimento das eólicas offshore. O momento agora é de ajustes finos para viabilizar a implementação dos projetos com eficiência e previsibilidade”, analisou a diretora Brasil da Ocean Energy Pathway, Julia Paletta.

Segundo o estudo, a execução dos projetos ocorre predominantemente no ambiente marítimo e depende diretamente de regras claras para navegação, logística e uso de embarcações especializadas. “Estamos falando de uma nova cadeia logística, com ativos altamente especializados e dinâmica própria. É natural que o arcabouço regulatório evolua para acompanhar essa realidade”, ressaltou Julia.

Entre os aperfeiçoamentos regulatórios sugeridos no estudo estão a tipificação das atividades de apoio marítimo às eólicas offshore no marco regulatório do setor da navegação (Lei 9.432/1997) e a definição do enquadramento regulatório de embarcações especializadas. Há espaço também para atualização das normas da Marinha, com destaque para a Normam-01/DPC (embarcações em mar aberto) Normam-08/DPC (tráfego e permanência em águas jurisdicionais brasileiras), além da elaboração de diretrizes específicas no grupo de trabalho (GT) sobre eólicas offshore.

Julia também observa que o ambiente fiscal é determinante para a atração de investimentos. Ela considera que pequenos ajustes podem gerar ganhos expressivos de competitividade. No campo tributário, o estudo identifica oportunidades para ganhos relevantes de competitividade a partir da ampliação do regime de admissão temporária para embarcações e equipamentos, assim como a estruturação de política fiscal específica para o setor e uma melhor adequação de instrumentos existentes, como REB (Registro Especial Brasileiro), o Reidi e o ex-tarifário.

A diretora Brasil da OEP destacou à Portos e Navios que a conclusão principal desse levantamento é que o desenvolvimento do setor passa por maior integração entre os regimes energético, marítimo e fiscal. Segundo Julia, as recomendações de aperfeiçoamentos no marco existente são necessárias para sua plena efetividade, reduzindo incertezas regulatórias e aumentando a previsibilidade para investidores.

Levantamentos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e do Banco Mundial identificaram que o Brasil reúne um dos maiores potenciais técnicos do mundo para eólicas offshore, superior a 1.200 gigawatts (GW). Na última quarta-feira (1º), o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) estabeleceu as diretrizes para a regulamentação do aproveitamento do potencial energético offshore no país. As regras também foram discutidas em audiência pública na Comissão de Infraestrutura do Senado, nesta terça-feira (7).

Fonte: Portos e Navios.