A inovadora entidade Aliança Global da Indústria [Global Industry Alliance] (GIA) acaba de ser lançada para enfrentar duas das mais prementes questões ambientais de nosso tempo — espécies invasoras e emissões de gases de efeito estufa (GEE). A GIA reúne o setor privado e as GloFouling Partnerships, um projeto liderado por entidades das Nações Unidas para abordar a transferência de espécies aquáticas nocivas através da bioincrustação.
A GIA acelerará o desenvolvimento de soluções para melhorar o gerenciamento da bioincrustação marinha, acúmulo de organismos aquáticos nos cascos dos navios ou estruturas submersas, como plataformas e instalações de aquicultura. A bioincrustação pode levar à introdução de espécies potencialmente invasivas em novos ambientes, onde podem ameaçar espécies nativas e causar danos irreversíveis à biodiversidade. Também tem impactos mensuráveis em vários setores econômicos, como pesca, aquicultura e energia oceânica. Uma vez estabelecidas em um novo ecossistema, as espécies invasoras são extremamente difíceis de erradicar.
A nova Aliança Global da Indústria para Biossegurança Marinha reúne empresas do setor privado de várias indústrias afetadas pela bioincrustação, incluindo transporte marítimo, aquicultura, petróleo e gás offshore e energias renováveis oceânicas. Essas empresas trabalharão em conjunto com o projeto GloFouling Partnerships, uma iniciativa conjunta entre a Global Environment Facility (GEF), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Organização Marítima Internacional (IMO). Os principais objetivos da GIA são alavancar recursos humanos, tecnológicos e financeiros; facilitar a contribuição da indústria para o desenvolvimento de políticas e uma atração positiva pelos processos de reforma; e o desenvolvimento e disseminação de soluções tecnológicas para melhorar o gerenciamento da bioincrustação.
O trabalho da GIA também contribuirá para uma redução significativa nas emissões de gases de efeito estufa. A bioincrustação aumenta a resistência dos navios, forçando-os a queimar mais combustível para manter a velocidade. Espera-se que a nova aliança global promova soluções para melhorar o desempenho hidrodinâmico dos navios e, assim, contribuir para uma redução significativa da pegada de carbono da indústria naval.
A GIA foi oficialmente inaugurada nesta segunda-feira (8), durante uma reunião on-line com a participação de representantes dos membros fundadores da indústria, bem como da IMO e do PNUD.
O secretário-geral da IMO, Kitack Lim, disse que a nova aliança reunirá, pela primeira vez, todas as indústrias marítimas na busca de soluções para duas questões ambientais importantes que afetam nosso planeta. “Sob esta nova iniciativa, esses campeões da indústria, de diferentes setores, estão se reunindo para enfrentar desafios comuns e avançar para um uso mais sustentável dos recursos oceânicos”, disse Lim.
Quatro empresas se tornaram membros fundadores da GIA: CleanSubSea, ECOsubsea, HullWiper e Sonihull. Espera-se que mais empresas se juntem ao empreendimento.
Fonte: Revista Portos e Navios