Fornecedores e representantes da indústria de óleo e gás no Brasil receberam de forma positiva a notícia da compra da participação da Petrobras no BM-S-8 pela Statoil, que fará sua estreia como operadora no pré-sal brasileiro. A área na Bacia de Santos é atualmente estudada por meio do plano de avaliação da descoberta de Carcará.
“Essa é uma grande virada no negócio de petróleo no Brasil, a maior desde a compra da BP pela Shell, que fez com que ela se tornasse a segunda maior produtora do país”, afirmou uma fonte do setor.
De acordo com representantes da Abespetro e da Abimaq, uma das grandes vantagens da entrada de uma nova operadora no pré-sal é a possibilidade de expor os fornecedores a novos critérios de compra, o que pode ajudar na internacionalização dos produtos e serviços nacionais.
“O importante é a pulverização. Lidar com operadoras com perfil técnico diferente ajuda a qualificar a indústria”, afirmou José Mauro Ferreira, diretor da Abespetro.
A expectativa é que o BM-S-8 agora se torne uma oportunidade não somente para aumentar o volume de novos contratos fechados no Brasil, mas também para a formação de novas demandas tecnológicas. Além dos desafios relacionados à sua geologia e profundidade de lâmina d’água, o ativo será desenvolvido de uma maneira diferente da feita pela Petrobras.
“Estávamos atravessando uma fase praticamente de monopsônio; só a Petrobras comprava. A entrada de um operador novo em um ativo como Carcará é extremamente motivadora”, acredita o VP de Estratégia e Business Development da Aker Solutions no Brasil, Ricardo Serafim.
A percepção é que o plano de venda de ativos da Petrobras poderá surtir uma retomada de investimentos no país, em um momento em que a indústria atraavessa dificuldaes. No momento, o Brasil é considerado um país barato para investimentos, devido à desvalorização do real e à ociosidade pela qual a indústria vem passando.
“O que aconteceu em Carcará pode acontecer em outras áreas, sem dúvida”, afirmou Alfredo Renault, superintendente da Onip. Ele acredita que o interesse da petroleira norueguesa no ativo brasileiro demonstra que é possível diversificar os operadores e permitir que outras companhias, além da Petrobras, tenham portfólios fortes no país.
“O mais importante dessa operação é a sinalização de como o Brasil continua competitivo e interessante para grandes empresas internacionais, o que pode fazer com que a gente recupere dinamismo”, observou.
O entendimento geral é que o movimento da Statoil indica a necessidade da realização de novos leilões no país, mas sem a prerrogativa da operação única da Petrobras no pré-sal.
“O marco da retomada da indústria será a liberação do operador único. O ponto importante é não parar, e a gente ficou muito tempo parado por causa da suspensão dos leilões, então espero que agora possamos recuperar esse tempo perdido”, afirmou Alberto Machado, diretor de Petróleo, Gás Natural, Bioenergia e Petroquímica da Abimaq.