Uma nova petroleira brasileira está sendo criada no Rio de Janeiro. As margens da Baía de Guanabara são discutidas as melhores estratégias para ingressar no segmento offshore, com ativos de desenvolvimento da produção, appraiasal e produção com upside. Batizada de Eos, a recém nascida petroleira será presidida por Ricardo Mucci e terá como diretores Murilo Marroquim e Paulus Vander Ven, executivos vindos da Nova Petróleo, empresa que passa por um processo de reestruturação.
A Eos nasce com dois investidores. O primeiro é a trading Mercuria, que tem hoje 38 escritórios em 27 países do mundo. Com mais de 1.000 empregados, a empresa foi fundada em 2004 e no último ano comprou por US$ 800 milhões o braço de commodities do J.P Morgan. Possui participação em ativos de produção onshore e offshore nos EUA, Canadá, Argentina, Nigéria e Romênia. O segundo investidor é a empresa Maverick, da empresária Patrícia Coelho, dona da Aasgard Navegação, empresa de apoio offshore que conta com prioridade do Fundo de Marinha Mercante (FMM) para a construção de 10 embarcações no Brasil, sendo quatro OSRVs e seis PSVs.
Além da Maverick e Mercuria, cada um com 50% de participação, outros dois fundos investidores avaliam a possibilidade de investir na Eos. O capital inicial da Eos será de R$ 67 milhões, valor necessário para credenciamento na ANP como operador de águas rasas, mas de acordo com o Mucci não há limitação de recursos caso apareça um bom projeto.
O executivo adianta que a empresa começa a sondar o mercado para analisar oportunidades de negócios. “Temos uma oportunidade no Brasil com várias companhias vendendo ativos. Achamos que é um bom momento para começar uma companhia e estamos avaliando todas as ofertas offshore”, afirma.
A Eos busca ativos nas bacias de Campos, Santos, Espírito Santo, mas nada impede, segundo Mucci, que venham a ser analisadas oportunidades de negócio em outras áreas, como Sergipe-Alagoas e Ceará. Futuramente, o diretor Murilo Marroquim adianta que a intenção é avaliar também do programa de desinvestimento da Petrobras. Os executivos buscam projetos em águas rasas e médias, com volumes de cerca de 100 milhões de barris recuperáveis. No médio prazo, o plano da EOS é assegurar um produção de 100 mil barris/dia de óleo.
“Temos fôlego para investir em um projeto de produção. Nossos dois investidores estão capitalizados para isso e ainda temos negociações bastante avançadas com um terceiro investidor, que deve integrar o grupo”, afirma Mucci, sem revelar o valor do capital e o nome do possível novo investidor.
Enquanto a Eos busca novos negócios a Nova Petróleo, impactada pela queda na cotação do Brent, começa a conter seus investimentos. A Bolognesi, grupo investidor da petroleira brasileira que também atua na geração de energia e construção civil, decidiu frear os novos investimentos na área de E&P, além de promover uma grande reestruturação de pessoal nos quadros da petroleira.
A estratégia agora é administrar apenas o portfólio atual, que contempla 12 blocos – cinco localizados na bacia do Recôncavo e arrematados na 11ª rodada e sete áreas em Sergipe-Alagoas, adquiridas na 12a rodada – e quatro campos (Fazenda Santo Estevão, Fazendo Rio Branco, Sauípe e Tico-Tico), sem investir em novos negócios. A petroleira cumprirá os programas exploratórios mínimos acordados com a ANP para seus blocos, mas não fará nenhuma campanha a mais e nem participará da 13ª rodada da ANP, prevista para 7 de outubro.
O compromisso de trabalho da Nova Petróleo exige a perfuração de 13 poços, sendo seis no Recôncavo e sete em Sergipe-Alagoas. Em termos de investimentos, a estimativa é de que tenham que ser aplicados entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões. Sem planos de crescimento, o grupo Bolognesi optou por enxugar o time da Nova Petróleo. Toda a diretoria deixou a petroleira e agora o grupo busca no mercado um quadro diretor com foco mais operacional, o que deverá ser definido até o fim de agosto.
“A ideia do grupo é cumprir com todas as obrigações com a ANP. Se houver mudança no preço do petróleo e nas condições de mercado, voltamos a investir. Sem isso, cumprimos as obrigações, sem viés de crescimento”, avalia Paulo Cesar Rutzen, vice-presidente do grupo Bolognesi.
A mudança de estratégia está diretamente relacionada à demanda por novos investimentos na área de Energia. O Grupo Bolognesi vai construir dois novos terminais regaseificação de gás natural, um no Rio Grande (RS) e outro em Suape (PE), para atender à demanda de suas duas térmicas que serão construídas nesses locais, que demandarão US$ 6,6 bilhões.
Com o crescimento dos investimentos na geração à gás, a área de petróleo perdeu sintonia junto aos negócios do grupo. Além do freio nos investimentos na Nova Petróleo, o Grupo Bolognesi está vendendo outros ativos, através de uma operação coordenada pelo Banco Itaú BBA e conduzida de forma bastante reservada. Aparentemente, o pacote de desinvestimento inclui PCHs e eólicas.