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Clippings - 23/03/17

E&P puxou desvalorização de ativos da Petrobras em 2016

O segmento de Exploração e Produção da Petrobras foi responsável por 50% das baixas contábeis (impairments) da companhia em 2016, somando cerca de R$ 10 bilhões sobre um total de R$ 20,3 bilhões em perdas por desvalorização de ativos – queda de 55% ante os quase R$ 50 bilhões registrados no ano anterior.

A principal causa das perdas foi a desvalorização de R$ 7,4 bilhões de campos de produção no Brasil, predominantemente nos polos Norte (R$ 3,8 bi), Ceará Mar (R$ 693 mi), Guaricema (R$ 415 mi), Bijupirá e Salema (R$ 317 mi), Dourado (R$ 284 mi), Maromba (R$ 281 mi), Trilha (R$ 228 mi), Papa-Terra (R$ 234 mi), Pampo (R$ 216 mi), Frade (R$ 213 mi), Polo Uruguá (R$ 196 mi), Badejo (R$ 183 mi), Bicudo (R$ 160 mi), Riachuelo (R$ 146 mi), Fazenda Bálsamo (R$ 135 mi) e Polo Água Grande (R$ 101 mi).

As motivações para as perdas foram a apreciação do real frente ao dólar norte-americano, a revisão de premissas de preço, revisão anual de reservas, revisão anual da provisão de desmantelamento de áreas e o aumento da taxa de desconto devido ao maior prêmio de risco para o Brasil.

Ainda no E&P, a Petrobras registrou R$ 2,8 bilhões em baixas contábeis associadas a equipamentos de perfuração e produção. As baixas contábeis foram reconhecidas principalmente em função de incertezas sobre a continuidade da construção dos cascos das FPSOs P-71, P-72 e P-73, da ordem de R$ 2 bilhões, referente ao saldo desses ativos.

As perdas no E&P foram, contudo, 73% menores que em 2015, quando os impairments registrados pela Petrobras somaram R$ 38 bilhões, o correspondente a 80% das perdas totais naquele ano.

A área de abastecimento representou 40% das perdas da Petrobras por desvalorização de ativos em 2016, totalizando R$ 8,2 bilhões. As baixas estão associadas principalmente à Petroquímica Suape (R$ 3,4 bilhões), ao segundo trem de refino da Rnest (R$ 2,5 bi) e ao Comperj (R$ 1,3 bi).

Em relação a Suape, o resultado foi motivado pela redução das projeções de mercado e apreciação do real frente ao dólar, além da venda do complexo petroquímico. Na Rnest, as perdas ocorreram pelo aumento da taxa de desconto e pelo adiamento da expectativa de entrada de caixa do projeto para 2023 e, no Comperj, pela prorrogação do início do primeiro trem de refino para 2020.

Ainda no Abastecimento a Petrobras registrou perdas de R$ 800 milhões pela desvalorização de navios da Transpetro. Entre as causas dos impairments estão a retirada dos comboios de embarcações do projeto hidrovias da UGC Transporte em função de cancelamentos e postergações, do aumento da taxa de desconto e do início da construção de cinco navios Aframax.

No segmento de Gás e Energia, as perdas foram de quase R$ 1 bilhão pela desvalorização da Unidade de Fertilizantes e Nitrogenados (UFN) III, devido ao aumento da taxa de desconto e valorização do real frente ao dólar, e da planta Araucária Nitrogenados pelos mesmos motivos, além do aumento da projeção dos custos de produção do empreendimento.

Outras baixas contábeis em 2016 estão associadas à Petrobras Chile Distribución (R$ 266 mi) em função da diferença entre o valor de venda e o valor contábil dos ativos de distribuição no Chile, à Usina de Quixadá, no Ceará (R$ 90 milhões), e às usinas térmicas Rômulo Almeida e Celso Furtado (R$ 156 milhões).