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Clippings - 28/02/19

EPE vê espaço para cinco novas refinarias

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apresentou, nesta quarta-feira (27/02), estudo apontando a viabilidade para a implantação de cinco refinarias de pequeno porte no país, isto é, unidades com capacidade de processamento entre 5 mil b/d e 20 mil b/d.

Segundo a pesquisa, a região indicada para a instalação das plantas seria o Nordeste, que, mesmo contando atualmente com cinco refinarias, apresenta o maior déficit na oferta de derivados. Além disso, a região tem potencial de crescimento econômico significativo e grande concentração de campos terrestres.

O presidente da EPE, Thiago Barral, acredita que esse tipo de empreendimento pode impulsionar novos negócios e desenvolver localidades com potencial ainda não explorado.

“O estudo mostra que essas pequenas refinarias podem representar uma nova forma de comercializar petróleo em campos terrestres”, completou o executivo, lembrando que outro benefício é aumentar o número de ofertantes de derivados em um mercado dominado pela Petrobras, que detém 98% do parque de refino nacional.

As cinco mini-refinarias poderiam ser instaladas nas bacias Potiguar (capacidade para 20 mil b/d), Recôncavo (20 mil b/d), Sergipe (10 mil b/d), Espírito Santo-Mucuri (10 mil b/d) e Alagoas (5 mil b/d). A EPE usou como base de suprimento para as unidades o petróleo produzido em campos terrestres próximos às plantas.

As refinarias no Rio Grande do Norte e em Sergipe seriam construídas no formato “hydroskimming”, de baixa complexidade, com uma unidade de separação atmosférica e nenhuma unidade de craqueamento. As unidades da Bahia, Espírito Santo e Alagoas seriam projetadas conforme o modelo de craqueamento, que produz volumes maiores de derivados, com valores de mercado mais elevados.

O Brasil seguirá como importador de derivados, principalmente de nafta, diesel, gasolina e GLP, mas aprimorar o abastecimento em locais com baixa oferta de combustíveis representa uma oportunidade, segundo a EPE.

“A exploração e produção de óleo e gás em terra é importante para o desenvolvimento local, gera emprego, renda e, principalmente, cria uma oferta descentralizada de derivados”, enfatizou José Mauro Coelho, diretor de estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da EPE.

A implementação de unidades de refino de pequeno porte para atendimento regional é também importante por conta dos altos custos logísticos associados a certas localidades, tendo em vista as dimensões continentais do Brasil.

Para definir os melhores locais para instalação das refinarias, o estudo utilizou como critério a possibilidade de abastecer mercados consolidados ou de nicho, onde há poucos concorrentes, bem como o atendimento a demandas domésticas. Além disso, a pesquisa se vale de um cenário em que há a possibilidade de integração com a cadeia de abastecimento por outros parceiros e acesso a isenções ou incentivos fiscais.

A análise estima, para a viabilidade dos projetos, vida útil de 25 anos para os empreendimentos, com depreciação de 4% a.a. (ao ano) e taxa mínima de atratividade de 10%. Leva em consideração também a comercialização de 100% dos produtos da refinaria com paridade no mercado internacional, capacidade de utilização de 90% e três anos de construção da planta.

De acordo com dados da EPE, em 2017, aproximadamente um terço da demanda energética nacional era composta por diesel (19,1%), gasolina (10%) e GLP (3,4%), sendo o setor de transporte o maior consumidor, com 65% – dos quais 92% demandados pelo segmento rodoviário.

Como a matriz nacional de transporte é majoritariamente absorvida pelos combustíveis de caminhões, carros e ônibus, a necessidade de derivados para atender a esse perfil tende a crescer nos próximos anos.

Projetos em estudo

Em outubro do ano passado, a BE Petróleo publicou matéria detalhando projetos da iniciativa privada que preveem a instalação de cinco novas refinarias no país na próxima década, quatro delas no Nordeste e uma no Amapá.