Petroleira é a primeira estrangeira a buscar unidade de perfuração para o desenvolvimento de um grande campo no Brasil
A atenção das grandes empresas de perfuração se voltará à Equinor nas próximas semanas. A petroleira norueguesa lançou, na sexta-feira (11/10), bid para afretamento de uma sonda de 3 mil m de lâmina d’água destinada à campanha dos poços de desenvolvimento de Carcará, na Bacia de Santos.
O escopo do negócio prevê um contrato de até oito anos ininterruptos, o que, se exercido, marcará o contrato de mais longo prazo firmado no Brasil desde o início da crise do setor. A sonda terá que estar disponível para iniciar operação em 2021, entre os meses de maio e junho.
O afretamento da sonda prazo firme de quatro anos e mais quatro opções de prorrogação de um ano. Como o projeto prevê a perfuração de 18 a 20 poços, a tendência é que a petroleira utilize ao menos duas prorrogações.
A concorrência é conduzida pela equipe da Equinor da Noruega. O contrato exige que a sonda esteja equipada com sistema de gerenciamento de pressão (MPD) e dual activity. O prazo para apresentação de propostas é de cinco semanas.
Segundo apurado pelo PetróleoHoje, nenhuma empresa brasileira foi convidada. A avaliação é que as perfuradoras brasileiras não teriam sondas disponíveis para atender às exigências contratuais. Há poucos meses, a Equinor lançou uma RFI para sondar o interesse e a disponibilidade das empresas, encaminhando as especificações prévias do pedido a um grande número de companhias brasileiras e estrangeiras.
Entre as empresas vistas como favoritas estão EnscoRowan, Transocean e as norueguesas Seadrill e Odfjell.
Marco entre IOCs
A iniciativa marca a primeira contratação de campanha de perfuração de desenvolvimento de um grande campo feita no Brasil por uma empresa estrangeira. O porte da operação demonstra a dimensão do que está por vir nos próximos anos com a demanda das IOCs.
A corrida da Equinor para contratar uma sonda que entrará em operação apenas em 2021 dá indícios de que o grupo norueguês tem a percepção de que o mercado de perfuração voltará a crescer no curto prazo. Até o momento, as taxas de afretamento permanecem baixas e há grande disponibilidade de unidades sem contrato.
O plano de desenvolvimento de Carcará prevê a produção do primeiro óleo entre 2023 e 2024. A fase complementar do projeto será colocada em produção três anos e meio depois, com foco na área de Norte de Carcará, adquirida na 2ª rodada de partilha de produção.
A Equinor concluirá este mês uma campanha de perfuração exploratória em Carcará, com o navio-sonda West Saturn, da Seadrill. Em paralelo, a petroleira norueguesa discute com o mercado os FEEDs (engenharia de pré-detalhamento) para o FPSO e o SURF (risers, umbilicais e flowlines submarinos) do projeto.
No caso do FPSO, as negociações são feitas apenas com a Modec e a SBM. A unidade será newbuild (casco novo), e o modelo de contratação não deverá ser o de afretamento. A previsão é que a planta de produção tenha capacidade para 220 mil b/d de óleo.
Carcará foi descoberto pela Petrobras em 2012 e adquirido pela Equinor em 2016. A petroleira norueguesa detém 40% de participação no ativo, em parceria com a ExxonMobil (40%) e a Galp (20%) – mesmo consórcio de Norte de Carcará.
Fonte: Revista Brasil Energia