Norueguesa é foco da segunda reportagem de série sobre projetos de petroleiras no país
Depois da Shell, a norueguesa Equinor é foco da segunda reportagem sobre os projetos de petroleiras no país.
Apesar do “pente-fino” que vem passando em seus projetos, a Equinor decidiu manter o cronograma de seus principais empreendimentos no Brasil, com destaque para o campo de Bacalhau, o bloco BM-C-33, onde está a descoberta de Pão de Açúcar, e a segunda fase de desenvolvimento de Peregrino.
Fruto de uma das maiores descobertas da última década no país (Carcará), Bacalhau tem primeiro óleo programado para meados de 2024. A produção inicial estimada será de 220 mil bopd.
O projeto é o primeiro com desenvolvimento greenfield na região do pré-sal realizado por uma operadora internacional. De acordo com o relatório de impacto ambiental (EIA-Rima) apresentado ao Ibama, serão 11 poços perfurados, conectados ao maior FPSO do país.
Já o projeto do BM-C-33 inclui três prospectos no pré-sal da Bacia de Campos: Seat, Gávea e a descoberta de gás e condensado de Pão de Açúcar, que deve ser a prioridade da companhia. as descobertas têm volumes recuperáveis estimados em 1 bilhão de boe, em reservatórios de lâmina d’água de 3 mil m.
Para viabilizar a produção no ativo, a Equinor terá de encontrar uma solução para os grandes volumes de gás natural nas áreas, tanto no que se refere ao desenho da planta de processamento como á questão da infraestrutura de escoamento.
Via assessoria de imprensa, a petroleira informou que ainda estuda todas as alternativas possíveis. O primeiro óleo da primeira fase de produção do projeto está previsto para 2026.
A segunda fase de desenvolvimento do campo de Peregrino está programada para ser iniciada no último trimestre deste ano. O novo estágio prevê a instalação de uma terceira plataforma fixa.
Localizado na Bacia de Campos, Peregrino foi o primeiro projeto da Equinor no Brasil, entrando em operação em 2011. Em 2019, a produção média da área foi de 61 mil boed, mas, recentemente, uma falha no risers fez com que a produção fosse interrompida por tempo indeterminado.
Ainda na Bacia de Campos, a companhia tem participação no campo de Roncador, operado pela Petrobras. O ativo é um dos maiores do país, com um volume mensal de 179 mil boed nos últimos 12 meses.
A norueguesa estuda vender sua parcela de gás produzido no campo a partir de 2021, informou a vice-presidente de Energy Marketing da Equinor Brasil, Cláudia Brun, durante webinar realizado no final de maio.
Na área de exploração, a companhia tem participação em 16 blocos, em dois deles como operadora: o BM-S-8 (onde está o campo de Bacalhau) e o C-M-539 (35%), que faz parte do contrato BM-C-33.
Em relação ao C-M-539, cujo término do PAD está programado para dezembro de 2022, a Equinor informa que não há atividade exploratória programada, “apenas perfuração de produção como parte do programa de desenvolvimento de campo”, sem especificação de datas.
Recentemente, a companhia deixou de ser operadora em cinco concessões na Bacia do Espírito Santo (ES-M-671, 743, 598, 673 e 596), mas decidiu vender sua participação em todas elas para a Petrobras, que, agora, procura novos sócios para os projetos.
A Equinor segue com a participação em outros três blocos no Espírito Santo: ES-M-669 (35%), ES-M-594 (40%) e ES-M-527 (25%), enquanto, em Campos, detém fatias nos blocos C-M-657 (30%), C-M-709 (20%), C-M-755 (40%) e C-M-793 (40%).
Dentre esses sete blocos, destaque para o ES-M-669, onde a Petrobras pretende chegar ao pré-sal do com a perfuração do prospecto de Monai, ainda não iniciada, e para o C-M-657, cuja perfuração do poço chamado Naru foi iniciada pela estatal no início deste mês.
Outros dois importantes projetos exploratórios em que a Equinor está presente são os de Dois Irmãos (25%), no pré-sal de Campos, cuja campanha está prevista para o segundo semestre deste ano, e Uirapuru (28%), no pré-sal de Santos, onde a companhia espera os resultados da perfuração iniciada pela Petrobras no final do ano passado.
Na área de energias renováveis no país, destaque para a usina solar de Apodi, em Quixeré (CE). Em operação desde novembro de 2018, o complexo de 500 mil painéis solares é operado pela compatriota Scatec Solar. A energia gerada pela usina pode abastecer cerca de 200 mil residências.
Fonte: Revista Brasil Energia