
A Equinor vai investir R$ 42 milhões em projetos de PD&I no Brasil, com o objetivo de avaliar o potencial de aprimoramento de simulações de reservatório baseado em ferramentas digitais, informou Andrea Achôa, gerente de PD&I da Equinor no Brasil, em entrevista ao PetróleoHoje. O projeto terá como foco inicial os reservatórios carbonáticos, visando o melhor entendimento da produção em campos do pré-sal.“O foco será nos reservatórios carbonáticos, mas isso não impede de estudarmos outros tipos de reservatórios. Nós vamos utilizar algumas amostras dos nossos campos, e também de outros não operados pela Equinor. O nosso primeiro campo operado é Bacalhau, que vai entrar em operação em alguns anos, então já estamos nos preparando e tentando entender esse ambiente”, explicou a executiva.O projeto será realizado em parceria com três instituições: o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Dos R$ 42 milhões, R$ 22 milhões serão direcionados ao CNPEM, e o restante será dividido entre as universidades, pelo período de quatro anos.As instituições trabalharão juntas, mas com escopos diferentes entre si e complementares. No CNPEM, o foco estará no desenvolvimento de uma infraestrutura complementar à linha de luz Mogno, que realiza micro e nanotomografias de raios-X em amostras e está, atualmente, em fase de testes.“Com a alta resolução dos micro plugs, poderemos fazer uma operação in situ da injeção de alguns fluidos dentro de testemunhos muito pequenos de rochas carbonáticas do pré-sal para entender porosidade, permeabilidade, o comportamento da rocha-fluido, durante a extração de petróleo”, explica Achôa.A atividade de avaliação das propriedades das rochas existentes no pré-sal será, também, de responsabilidade da Unicamp. As amostras serão enviadas pela universidade ao CNPEM, para serem investigadas e comparadas a dados coletados no Laboratório de Reservatórios de Petróleo da Faculdade de Engenharia Mecânica (Labore) da universidade.

Já a UFSC vai realizar estudos, a partir da utilização das rochas do pré-sal, para desenvolver um protocolo digital aprimorado para as amostras. A executiva explica que essas ferramentas digitais já foram desenvolvidas pela Equinor e, atualmente, são de código aberto, de modo que a colaboração com as instituições resulte em melhorias na solução.“Com o aprimoramento da resolução do reservatório, nós vamos entender melhor o comportamento e ter uma visão mais acurada da produção. E, com certeza, todas as informações das rochas e a integração das rochas digitais vão, também, servir como base para vários outros estudos e outros projetos voltados para o aumento da recuperação dos campos, principalmente para esse tipo de região”, destacou a executiva.Segundo Andrea, a Equinor possui um interesse muito grande em projetos de PD&I e um portfólio – atualmente de 46 projetos vigentes – que está aumentando. “Nós vislumbramos um crescimento importante no país. Hoje somos em 16 pessoas na Equinor no Brasil, na área de PD&I, e estamos olhando para um crescimento do nosso time para atender todas as demandas que vemos pela frente”, apontou.