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Clippings - 04/05/23

ESG ganhou relevância na agenda dos ministérios, da Antaq e da ONU

A sigla ESG vem se tornando, cada vez mais, uma estratégia essencial para o desenvolvimento e crescimento das organizações. A governança ambiental, social e corporativa, do inglês Environmental, Social, and Corporate Governance, engloba boas práticas nas três áreas e pode diferenciar uma empresa na hora de atrair investidores. O tema já faz parte da agenda dos ministérios e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), com objetivo de mobilizar a comunidade empresarial na adoção e promoção, em suas práticas de negócios, do Pacto Global da Nações Unidas, que trata do tema.

A Santos Port Authority (SPA) aderiu ao Pacto em 2021 e em 2022 realizou a sua 1ª Jornada ESG, evento para discutir o tema. Além disso, criou a Gerência de Sustentabilidade e dedicou uma área para Governança, Riscos e Compliance. De acordo com a companhia, a cultura ESG vem norteando as atividades e direcionando para a criação de um legado com mais responsabilidade social, desenvolvimento sustentável, ética e integridade.  

“Esse é um processo longo, contínuo e complexo, por todas as peculiaridades que cada organização possui e pelo volume de atores envolvidos interna e externamente. E passa por ações de educação e conscientização, pelo estabelecimento de políticas públicas e parcerias de fomento às práticas ESG e investimentos à infraestrutura”, comenta a SPA.

A adoção de práticas de sustentabilidade tem tido cada vez mais importância e vem sendo valorizada no contexto global, com empresas e governos em diversos países buscando implementar iniciativas que levem em consideração aspectos ambientais, sociais e de governança. Em 2021, a McKinsey, empresa de consultoria empresarial americana, apontou que o termo é primordial em questões de investimentos, fusões e aquisições em todo o mundo. Segundo a SPA, a autoridade também vem focando em uma relação sustentável com seus stakeholders.

“Tal pilar é representado por três temas estratégicos: Sustentabilidade, Relações Porto-Cidade e Governança e Integridade. É neste sentido que atuamos para que ambos os setores, público e privado, caminhem juntos, considerando a representatividade que o complexo portuário de Santos tem no market share nacional e sua importância regional na América Latina”, diz a SPA.

Para a autoridade portuária, a implantação da cultura alinha a empresa às práticas mais modernas de mercado, o que tende a elevar seu grau de investimento, promovendo acesso a ferramentas e capacitações específicos, desenvolvimento e liderança em projetos e iniciativas sustentáveis com outras empresas. Como consequência, ampliando a competitividade, a eficiência e a oportunidade de negócios no ambiente do porto.

A companhia tem atuado em várias vertentes, com o objetivo de ser referência no setor. Vem implementando uma nova política de sustentabilidade, fazendo mapeamento de riscos corporativos e estabelecimento de procedimentos para gestão e mitigação. A empresa implementou um comitê de diversidade e estabeleceu um comitê de inovação com foco em parcerias. Além disso, estabeleceu convênio com o poder público, focando no remanejamento de famílias em situação de ocupação irregular do Complexo da Prainha, no Guarujá.

Em relação ao ambiente portuário, para a SPA tanto o setor público quanto o privado estão avançando na implantação de práticas ESG, mesmo que os desafios possam ser distintos em relação a aspectos como cultura organizacional, complexidade regulatória, demanda de investidores, recursos financeiros, entre outros. “A implantação de boas práticas ESG deve ser vista como uma jornada contínua de melhoria e é fundamental que seja uma prática de todos os setores da sociedade, sejam empresas públicas, privadas e a própria sociedade civil”, ressalta a autoridade portuária.

A SPA acredita que o setor público vem tendo avanços robustos na transparência e no combate à corrupção no setor público, principalmente com marcos legais como a Lei 13.303/2016 (lei das estatais), a Lei 12.527/2011 (de acesso à informação) e a Lei 12.846/2013 (lei anticorrupção). Para a organização, Isso tem contribuído cada vez mais para o setor público melhorar seus procedimentos tanto para combater a corrupção quanto para deixar transparente seus dados. E enfatiza que é necessário continuar investindo em medidas que fortaleçam a ética e a integridade nas atividades governamentais e empresariais, garantindo uma gestão cada vez mais responsável e sustentável.

A Lei Federal 13.303/2016, conhecida como Lei das Estatais, trouxe diversas vantagens para a transparência e o combate à corrupção no Brasil. Ela estabeleceu novas regras para a gestão das empresas estatais, tornando mais rígidos e técnicos os critérios de escolha dos seus dirigentes e conselheiros, além de exigir a criação de mecanismos de controle interno e externo mais eficazes. A lei também estabeleceu normas para a transparência na gestão dessas empresas, como a divulgação de informações sobre suas atividades e resultados financeiros, bem como a realização de licitações públicas mais transparentes.

De acordo com Béatrice de Toledo Dupuy, gerente de comunicação corporativa e sustentabilidade da Santos Brasil, implantar uma cultura de ESG não é mais uma opção e sim uma necessidade. “Ou as empresas se conectam com as demandas da sociedade moderna ou desaparecerão no médio prazo. O mercado de capitais já deixou claro que o comprometimento com a redução de impactos ambientais, o desenvolvimento humano e o respeito à ética e transparência ganharam destaque na decisão do direcionamento de investimentos”, afirmou.

Para Dupuy, já é possível notar no setor portuário o crescente engajamento com essa agenda, seja pelas operadoras portuárias em si, pelos órgãos governamentais ou pelas empresas de navegação. E como efeito da implantação ESG, o país passa a ter empresas genuinamente engajadas com boas práticas empresariais, deixando-as mais transparentes e compromissadas com questões ambientais, sociais e de governança.

A gerente acredita que tanto o setor portuário público quanto o privado precisam ser retroalimentados. “O setor público tem papel fundamental para a disseminação do ESG, por meio de agendas regulatórias, políticas públicas e compromissos internacionais que incentivem e valorizem essas práticas. Enquanto o privado tem obrigação de participar da sociedade como um veículo para que políticas afirmativas, sejam elas ambientais ou de inclusão social, sejam implementadas”, relembrou.

A Santos Brasil publica seu desempenho em relatórios de sustentabilidade desde 2007, é signatária do Pacto desde 2013 e no fim de 2022 passou a integrar o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3, a bolsa de valores brasileira. Também no ano passado, integrou as carteiras do ICO2 (Índice Carbono Eficiente) e do IGPTW, que reúne empresas com melhores práticas no mercado de trabalho. “No âmbito social, só neste ano, estamos patrocinando 41 projetos que visam a inclusão e o desenvolvimento sociais. Não apenas das comunidades do entorno de nossas unidades, mas da sociedade como um todo. São projetos voltados para esporte e cultura, todos com a educação e o desenvolvimento em comum”, destacou Dupuy.

Para a coordenadora da Unidade de Integridade, Gestão de Riscos e Controle Interno do Porto de Suape, Fabiana Maranhão, assim como para a coordenadora de Desenvolvimento Ambiental, Responsabilidade Socioambiental e Sustentabilidade da mesma instituição, Rafaella Viana, a Lei das Estatais e de de acesso à Informação vem sendo um importante instrumento para a transparência e combate à corrupção no setor público brasileiro. Da mesma maneira, o relatório GRI (Global Reporting Initiative) e o canal de ouvidoria.  “Quanto mais informação à disposição do cidadão, mais o controle social será exercido. Suape, por exemplo, vem sendo monitorado pela Secretaria da Controladoria-Geral do Estado de Pernambuco no tocante a sua adequação e conformidade”, disseram.

Para elas, programas de compliance apresentam um viés preventivo na gestão de riscos, fazendo com que as empresas evitem problemas em suas atividades, que podem se transformar em atos de corrupção. Sempre baseados nos pilares voltados para atendimento do código de ética, políticas de integridade, treinamentos, avaliação de riscos, registros contábeis, controles internos e canal de denúncias. “Suape tem estabelecido, por meio do Programa de Integridade, Gestão de Riscos e Controles Internos, mecanismos adequados de governança alinhados com as melhores práticas internacionais. Com isso, assegura a credibilidade da atuação das unidades responsáveis pelo controle interno dos órgãos e entidades da administração pública do poder executivo estadual”, comentam.

Segundo Viana e Maranhão, ao longo dos 44 anos de fundação do porto a empresa vem implementando ações e projetos voltados para a cultura ESG com base em sua estrutura de governança. A filiação ao Iclei (Governos Locais pela Sustentabilidade) é uma das ações que, desde 2021, vem sedimentando e consolidando o papel de relevância concedido ao meio ambiente e a posição da Suape como um agente impulsionador de sustentabilidade. O porto tem as certificações: ISO 14.001:2015, NBR 16.001:2012 e ISO 9.001:2015.

Para as coordenadoras, essa é mais uma iniciativa de transparência da estatal, tornando público o seu desempenho para comparação setorial e intersetorial com outras corporações públicas e privadas. “A excelência em práticas ambientais, sociais e de qualidade do Sistema de Gestão Integrada (SGI) trouxeram mais fôlego para a administração da estatal avançar ainda mais na execução de projetos sustentáveis. Com a adesão de Suape ao Pacto Global da Organização das Nações Unidas, assumimos publicamente o compromisso de buscar as condições necessárias para consolidar os seus 10 princípios e os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 nas operações cotidianas da empresa”, afirmam.

A estatal destaca que está pronta para firmar parcerias com os investidores com foco no desenvolvimento sustentável, promovendo ações sociais e de responsabilidade ambiental. Além disso, salienta que a implantação de boas práticas ESG resulta na mitigação de problemas jurídicos, trabalhistas, fraudes e ações judiciais por impactos ao meio ambiente, indicando para os investidores que Suape é um território capaz de atrair projetos econômicos, sustentáveis e inclusivos para todos os stakeholders na geração de valor para Pernambuco e para o país.

Para as coordenadoras, os setores público o privado têm realidades distintas, mas conversam entre si. Para elas, o importante é fomentar e buscar sempre as melhores práticas, onde quer que estejam, pois a promoção do debate, do aprofundamento das questões, seja no âmbito público ou privado, só traz benefícios para ambos os lados e um não existe sem o outro. “Entendemos que o investimento em ESG pode ser impulsionado mais facilmente no setor privado. Mas destaque-se o papel fundamental do setor público para normatizar e trazer as bases ESG sob a ótica de serviço público, possibilitando sedimentar as boas práticas ambientais, sociais e de governança no Brasil”, comentam.

Vinícius Patel, diretor de administração portuária do Porto do Açu (RJ), acredita que a gestão privada é mais célere na tomada de decisões necessárias para a implantação de práticas ESG. “Fatores macroeconômicos também influenciam, principalmente no caso da transição energética pressionada pela recente crise do petróleo, pela guerra Rússia x Ucrânia e pelo período pós-pandemia, o que vem acelerando a implantação dessas práticas em nível global”, diz.

O Porto do Açu, privado, atua com foco no desenvolvimento sustentável, adotando e disseminando práticas ambientais, sociais e de governança que regem suas operações e relacionamentos. De acordo com Vinícius Patel, toda a orientação de negócios da companhia é norteada pelas oportunidades advindas da transição energética e de novas fontes de energia. O planejamento estratégico norteia o crescimento de suas operações por meio do desenvolvimento de negócios de baixo carbono e do incentivo à sustentabilidade na cadeia global de logística portuária.

A companhia tem mais de 30 projetos socioambientais desenvolvidos e mantidos pelo grupo Prumo, que administra os negócios do porto. Como a Reserva Caruara, criada de forma voluntária em 2012 para preservar e restabelecer a área de restinga típica do litoral fluminense, na qual o Açu se encontra.  Além disso, como parte da Caruara, a empresa mantém também o Programa de Preservação às Tartarugas Marinhas (PMTM), que já devolveu mais de 1 milhão de filhotes ao mar.

“Atuamos em programas sociais por meio do AbrAçu e também incentivamos e priorizamos os fornecedores locais por meio da parceria com o Sebrae/RJ. Nossos compromissos estão expressos em nossa Política de Sustentabilidade, que formaliza nosso compromisso de gerar valor para todas as partes interessadas e contribuir com o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU”, destaca Patel.

De acordo com o diretor, a política de sustentabilidade do Porto do Açu estabelece as diretrizes de implantação da estratégia de sustentabilidade em cinco pilares de atuação: segurança; meio ambiente e clima; pessoas e comunidade; negócios sustentáveis; e governança e compliance. Desenvolvido pelo Programa de Compliance da Prumo, em 2021 e 2022 obteve da Certificação ABNT NBR ISO 37001:2017, um reconhecimento internacional recebido após ampla auditoria para avaliar a conformidade e adequação do Sistema de Gestão Antissuborno aos requisitos estabelecidos. “Estamos na vanguarda mundial tanto em inovação na implantação de infraestrutura como na transição energética e no olhar atento à comunidade no entorno e na preservação do bioma no qual o Porto do Açu está inserido”, afirma.

Para a diretora de sustentabilidade da Wilson Sons, Monica Jaén, incorporar as questões de sustentabilidade à gestão do setor portuário torna-se estratégico e essencial para a perenidade das empresas, pois o desempenho econômico dependerá cada vez mais do equilíbrio entre todos os temas. Sendo assim, a diretora acredita que as empresas passaram a monitorar e orientar suas ações considerando os aspectos ESG. Ou seja, temas relacionados passaram a integrar as reuniões das diretorias e dos conselhos cada vez mais. 

“Há uma demanda crescente dos clientes, investidores, acionistas, financiadores, organizações da sociedade civil, colaboradores, consumidores, órgãos reguladores, enfim, da sociedade, para todas as etapas da cadeia produtiva em relação aos temas ambientais, sociais e de governança. Existem oportunidades de melhorias, assim como em outros setores, principalmente para uma melhor estruturação dos temas para avanços do setor, indo além do cumprimento dos padrões legais estabelecidos. Vale ainda comentar sobre a evolução das empresas com a adesão às certificações e as exigências de mercado”, ressalta Jaén.

A Wilson Sons possui a ISO 14000 de seus terminais de contêineres, bases de apoio offshore e centro logístico como forma de gestão ambiental e responde voluntariamente ao Global de Nova Iorque para medir a sua performance nos temas ESG e acompanhar as tendências mundiais no tema, além de ser signatária do Pacto Global desde 2009. A companhia participa também como membro do Carbon Disclosure Project (CDP) e em 2022 foi qualificada, pelo segundo ano consecutivo, com o Selo Ouro no Programa GHG Protocol, que tem o objetivo de estimular e apoiar corporações na elaboração e publicação de inventários de emissões de gases do efeito estufa (GEE). 

Para a diretora, de uma maneira geral a Europa é mais ativa nas questões ESG quando comparada com outras regiões, o que se reflete na antecipação de demandas para o setor produtivo. Entretanto, Jaén destaca que o Brasil também tem iniciativas alinhadas aos princípios fundamentais da sustentabilidade de potencializar o impacto positivo das atividades, reduzir ao mínimo seus reflexos negativos, e contribuir para a prosperidade das regiões de atuação das empresas.

“O licenciamento ambiental, por exemplo, é obrigatório para as obras em área portuária, também houve avanços com o Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos e Efluentes nos portos marítimos brasileiros. A inovação também é uma ferramenta importante para tornar o nosso setor mais sustentável. Acreditamos que vivemos um momento inédito do setor marítimo e portuário, em que a adoção de novas tecnologias permitirá tornar as operações nos portos e o transporte aquaviário de carga cada vez mais eficientes, seguros e sustentáveis”, afirma Jaén.

A Wilson Sons, em parceria com Porto do Açu e Hidrovias do Brasil, apoia a iniciativa do Cubo Itaú, que tem por objetivo promover a colaboração entre grandes corporações, startups, fundos de investimento e demais stakeholders do ecossistema portuário. Segundo Jaén, a Wilson Sons enxerga a tecnologia como aliada da infraestrutura marítima e portuária e da sustentabilidade no setor, por meio de melhorias operacionais, da busca por ganhos de eficiência e da produtividade em nossa indústria.

A Maersk também vem investindo em tecnologia. A companhia iniciou a transição energética e já vem implantando tecnologias sustentáveis no Brasil. Para reduzir a emissão, o grupo tem se dedicado à construção de um portfólio de soluções climáticas que resultará na redução de emissões em cerca de cinco milhões de toneladas de gás carbônico por ano até 2030. A empresa encomendou um total de 19 embarcações com motores capazes de operar com metanol verde. No próximo ano, o primeiro navio de transporte de contêineres da Maersk movido a metanol verde e com capacidade para 2.500 TEUs vai iniciar as operações na Europa. A partir de 2024, 18 navios de grande porte com capacidade para mais de 17 mil TEU também passarão a navegar pelo mundo com combustível verde.

“Como fornecedor global de serviços logísticos de ponta a ponta em todos os modos de transporte, é nosso objetivo estratégico estender nossa ambição de zerar a emissão de CO2 para todo o negócio. A ciência é clara, devemos agir agora para obter progressos significativos nesta década”, afirma Soren Skou, CEO da A.P. Moller – Maersk.

No Brasil, desde janeiro de 2023 quatro navios da classe Explorers da Aliança, que realizam a cabotagem no país, utilizam uma nova tecnologia de equipamentos elétricos que conectam o navio a uma fonte de energia no porto. Com isso, não é mais necessário manter motores a combustão ligados durante o tempo que o navio estiver atracado. Segundo a companhia, embora ainda não haja nenhum terminal no Brasil que forneça essa facilidade, a Maersk entende que isso acontecerá muito em breve, e por isso já está investindo na tecnologia.

Além disso, a Aliança, em parceria com o Instituto Geomar-Kiel e Depto. de Oceanografia da UERJ, participará do projeto de pesquisa que monitora a absorção do CO2 pelos oceanos. Em 2022, o navio Vincente Pinzon foi aparelhado para medição autônoma de dados oceanográficos, em tempo real, incluindo a absorção do CO2 no Atlântico sul ao longo da costa brasileira. A companhia também está construindo as duas primeiras barcaças ATBs oceânicas para transporte de contêineres do Brasil, Elas permitem o transporte simultâneo de um volume maior de carga em relação a outras embarcações e transporte terrestre. E os motores principais poderão, no futuro, ser movidos a combustíveis verdes.

De acordo com Pascoal Gomes, CFO e DRI da Log-In Logística Intermodal, o processo de construção de uma agenda ESG no setor de navegação no Brasil vem sendo, cada vez mais, direcionado pela necessidade genuína de um ambiente sustentável de seus modelos de negócio. Ele vem observando uma heterogeneidade com relação às iniciativas de estruturação e implantação de uma agenda ESG. “Algumas empresas estão bem avançadas nesse quesito, em outras, no entanto, ainda há um caminho a ser percorrido, pois a cultura não se difunde num estalar de dedos, ela é o resultado de um ambiente de boas práticas de sustentabilidade”, destaca.

Para Gomes, as políticas ESG no setor estão caminhando no mesmo ritmo, quando comparadas a outros países. O diretor acredita que a regulamentação brasileira, por ter estado um pouco defasada com relação às melhores práticas globais, têm buscado se adaptar tempestivamente aos padrões internacionais e, consequentemente, vem fomentando a adequação das empresas brasileiras de forma saudável. “A adoção de critérios ESG está cada vez mais em pauta, não só nas empresas, mas em órgãos públicos, gestoras de investimentos e bancos aqui no Brasil. Nesse sentido, nosso país está caminhando de acordo com as principais diretrizes internacionais, como, por exemplo, buscando o atendimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que fazem parte da agenda das Nações Unidas para 2030”, relembra.

Para o diretor, as práticas ESG contribuem para a perenidade e resiliência dos negócios, diminuindo o impacto no planeta das nossas operações.  Gomes enfatiza que empresas privadas com melhores práticas de ESG, que seguem genuinamente os princípios de boas práticas como transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa, que de fato busquem aplicar iniciativas estratégicas de sustentabilidade, além de terem comprovadamente desempenho superior, possuem a capacidade de atrair os melhores investidores, as mais interessantes linhas de crédito, os melhores parceiros de negócio, uma cadeia de suprimentos mais alinhada aos seus valores, os clientes de valor, pois eles captarão o valor dessas iniciativas através dos serviços prestados, na relação ganha-ganha, bem como na perenidade de suas próprias empresas. “Acreditamos que um ambiente diverso seja fundamental para uma equipe mais engajada e comprometida, que consegue tornar a experiência do cliente cada vez mais próxima e contribuir diretamente na retenção e na sua satisfação”, comenta.

Nos últimos anos, a Log-In implementou inúmeras iniciativas com objetivo de ampliar sua agenda e oferecer benefícios sustentáveis ao setor. Como o programa Mulheres na Operação que tem por objetivo fomentar a presença feminina em cargos culturalmente destinados aos homens, além de apostar na diversidade atrelada a um futuro mais sustentável. O programa Navegar é pioneiro no recrutamento exclusivo para mulheres marítimas, ele tem por objetivo fomentar a presença feminina em cargos de liderança, especialmente, nas áreas operacionais e marítima. 

No aspecto de Meio Ambiente (E – Enviroment), a Log-In vem implementando várias melhorias em sua frota de navios, com o objetivo de aprimorar a eficiência energética dos mesmos, reduzindo o consumo de Bunker (Combustível dos Navios), por meio de diversos investimentos em novas tecnologias, com retrofits que aumentam o desempenho na integração de casco-hélice-motor, sistemas inteligentes de controle automático de performance dos motores, aproveitamento dos gases de descarga para geração de calor, aprimoramento dos controles e softwares dos motores eletrônicos, provendo melhores desempenho e consumo, tratamento e pintura realizado nas últimas docagens proporcionando melhor performance da operação.Em 2022, implantaram também o recurso de simulação e controle de emissão de CO2 para seus clientes. Com a ferramenta, acessível em seu site, as empresas podem calcular e comparar o índice de emissão gerado pelo transporte de carga marítimo e rodoviário. 

Fonte: Revista Portos e Navios