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Clippings - 21/06/10

Estaleiro fica para o futuro, diz Transpetro

Empresa recebeu orientação do presidente Lula, mas não deixa claro os próximos projetos de estaleiros no País.

Grande responsável pela previsão de aumento da demanda por navios petroleiros e gaseiros no Brasil nos próximos anos, tendo em vista o desenvolvimento da produção de petróleo e gás na camada de pré-sal, a Petrobras Transportes S.A. (Transpetro), subsidiária da Petrobras encarregada da movimentação desses combustíveis, afirmou, ontem, que vai seguir a determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de viabilizar, no futuro, um outro estaleiro no Ceará. Atendendo uma orientação expressa do presidente Lula, a Transpetro se compromete a participar ativamente de novos estudos no sentido de viabilizar, no futuro, um outro estaleiro no Ceará, declarou em nota à imprensa. No documento, no entanto, a Transpetro não deixa claro quais são os próximos projetos de implantação de estaleiros no País e sobre o início de novos estudos de um outro equipamento dessa natureza para o Ceará. Vale lembrar também que com a mudança de governo, devido às eleições presidenciais de 2010, não existe ainda garantia de que a orientação dada pelo atual presidente da República seja sustentada pelo próximo mandatário do País.

O posicionamento da empresa é um reflexo do resultado de reunião realizada ontem em Brasília entre a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, o presidente Lula da Silva, a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, e o presidente da Transpetro, Sérgio Machado. No encontro, Luizianne conseguiu o aval de Lula para vetar o aterro da área do Titanzinho para construção do Estaleiro Promar Ceará, inviabilizando, assim, a vinda do empreendimento, neste momento, para o Estado. Segundo a chefe do executivo municipal, o presidente Lula além de se mostrar sensível aos argumentos apresentados por ela, garantiu que o próximo estaleiro a ser instalado no País será no Ceará.

A empresa segue assim a diretriz do governo federal, de viabilizar novos investimentos no setor naval, através do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), cumprindo seu papel de indutora maior do desenvolvimento desta indústria no País, geradora de emprego, renda e cidadania a milhares de trabalhadores brasileiros, argumenta a empresa. Na nota, a Transpetro reconhece também o esforço do governador do Ceará, Cid Gomes, e da prefeita Luizianne Lins, no sentido de viabilizar o estaleiro no Estado, o que foi impossibilitado, afirma, pela ausência de um terreno adequado ao projeto no prazo devido.

Assim, segundo a subsidiária da Petrobras, diante da inviabilidade de conseguir, em tempo hábil, uma área adequada no litoral cearense para este tipo de empreendimento e a devida licença ambiental prévia – ambos requisitos necessários para a assinatura de contrato com a Transpetro -, os investidores do estaleiro Promar Ceará já se comprometeram a apresentar localizações alternativas viáveis para a instalação do projeto. Estas áreas alternativas, localizadas em outros estados brasileiros, serão apresentadas pelos investidores no prazo devido (até 30 de junho) à Transpetro, que decidirá sobre a viabilidade do novo projeto, destaca a estatal no documento.

Lançamento

Em outro comunicado à imprensa, a Transpetro anuncia, para o próximo dia 24, o lançamento ao mar do primeiro navio construído pelo Estaleiro Mauá, em Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, do Promef. O navio destina-se ao transporte de derivados claros de petróleo, com capacidade para 48,3 mil toneladas de porte bruto e 183 metros de comprimento.

Conforme a empresa, a embarcação levará o nome de Celso Furtado, em homenagem ao economista que criou a Superintendência para o Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e lançou os fundamentos para uma nova abordagem de desenvolvimento econômico para o Brasil. A solenidade contará ainda com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O que eles pensam

Perda do equipamento é significativa

A ideia do estaleiro para o Ceará é interessante. Na Capital, estudos apontam para o Titanzinho, mas, econômica e tecnicamente, não compensa em termos de custo versus benefício. A Cidade não perde, se aquela área for usada para a população. É um espaço com potencial turístico que, integrado com os setores de serviço e comércio, geraria muito mais desenvolvimento econômico do que o estaleiro. No fim, Fortaleza só tem a ganhar, se aquela área for utilizada com iniciativas de maior valor agregado.

Marcos Holanda

Professor de Economia da UFC

É uma grande perda. O Ceará não tem recebido grandes empreendimentos. É mais uma obra que não vem. Não veio siderúrgica, refinaria; o Metrofor não termina. Pernambuco, Bahia e Sergipe têm crescido a passos largos e ficado porcentualmente mais distantes do Estado. Se esses empreendimentos tivessem vindo, o Ceará estaria preparado para recebê-los e administrá-los. O estaleiro é uma questão política, ou teriam procurado outro local no litoral mais afastado de Fortaleza.

Cid Alves

Presidente do Sindilojas

Perder um estaleiro desses é um prejuízo enorme. Eu sou a favor do equipamento, por crer que traria renda, emprego e desenvolvimento para o Ceará. Acredito que a questão ambiental não iria atrapalhar. A comunidade do Titanzinho iria tirar proveito do empreendimento. Teria mais vantagens que desvantagens. Traria empregos bem remunerados; precisaríamos de mão-de-obra qualificada; geraria tecnologia; demanda por material de empresas cearenses. Seria um ganho espetacular.