O Sindicato da Construção Naval ( Sinaval) divulgou um relatório que exala o gigantismo do setor. O documento informa que a capacidade de processamento de aço, hoje de 600 mil toneladas anuais, está sendo duplicada, o que permitirá atende a megademanda de 28 sondas de perfuração, 150 navios petroleiros, 200 barcos de apoio (supply-boats) e 150 plataformas de produção. Afirma o relatório:
Os empregos diretos gerados, superiores a 46 mil em 2009, devem aumentar para 60 mil, em 2014. Os empregos indiretos aumentarão de mais de 180 mil, em 2009, para 240 mil, em 2014, considerando-se a média de 4 empregos na indústria fornecedora para cada emprego gerado em estaleiros. A rede de fornecedores de produtos e serviços cresce com a regra do conteúdo local, que aumenta de 60% para 70% os fornecimentos de empresas instaladas no País.
Lembra que, para reduzir riscos de desempenho nesses empreendimentos pioneiros de construção, o Governo Federal criou o Fundo de Garantia da Construção Naval (FGCN), com as seguintes finalidades: suportar riscos de crédito dos financiamentos da construção das sondas e eventuais atrasos na entrega das unidades; criar condições para atrair novos participantes na criação de estaleiros no Brasil; desenvolver toda a cadeia de suprimento (bens e serviços).
Apesar de todo o otimismo, o documento destaca como desafios: qualidade final dos produtos para atendimento da performance; atendimento aos cronogramas de construção; adequação ao índice de conteúdo nacional (sem perda da competitividade); taxas de afretamento em linha com as praticadas pelo mercado afretador; desenvolvimento técnico e financeiro de toda a sua cadeia produtiva.
Revela o Sinaval que a Petrobras está negociando com o mercado bancário nacional a criação de um Programa Especial de Crédito para garantir acesso a financiamentos em condições diferenciadas que ajudem a viabilizar os empreendimentos: Esse programa será exclusivo e dedicado a financiamento de toda a cadeia de suprimentos da construção das sondas de perfuração para o pré-sal, que serão construídas em estaleiros brasileiros.
Destaca ainda: Os estaleiros associados ao Sinaval terminaram 2009 com um faturamento estimado em R$ 5 bilhões. A carteira de encomendas dos estaleiros registra 168 navios entregues de 2000 a 2009. A atual carteira de encomendas indica 132 obras: 52 navios petroleiros para a Transpetro (Promef, fases 1 e 2); dez petroleiros para a venezuelana PDVSA; 19 navios de apoio marítimo; 18 rebocadores de apoio portuário; 27 embarcações para navegação interior (rios e lagoas); quatro navios porta-contêineres para a Log-In (Vale); dois navios graneleiros para a Log-In (Vale).
Por fim, informa o Sinaval: O mercado brasileiro para a construção naval prossegue promissor. Informações preliminares da Petrobras estimam a necessidade de 45 novas plataformas de petróleo para atender aos campos produtores do pré-sal, ainda em avaliação. Cada plataforma exige pelo menos dois navios de apoio, o que abre a possibilidade de uma demanda adicional de 90 navios de apoio (além dos 146 já previstos anteriormente). Há necessidade, também, de mais 70 navios petroleiros para a Petrobras. Com a expansão da economia e do transporte de cabotagem, encomendas de mais navios porta-contêineres são esperadas. Por baixo, essas estimativas somam muitos bilhões de dólares.