O presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Naval (Sinaval), Ariovaldo Rocha, afirma que o setor vive momentos de euforia, mas a grande explosão dos estaleiros – um Eldorado – deverá ocorrer no fim de 2011 e início de 2012.
– Acho 2009 foi um ano de mudanças, devido à crise mundial e à queda nos preços do petróleo. Com isso, houve certa acomodação. O ano de 2010 será bom e o auge deve se registrar no fim de 2011 e início de 2012, com grande expansão no setor – diz Rocha.
Em breve, a Petrobras deve encomendar nove dos 28 navios-sonda de que precisa. E cada um custa em torno de US$ 1 bilhão – salienta Rocha, destacando que, a seguir, virão plataformas e navios para a Petrobras e Transpetro e importantes encomendas de outras fontes.
Citou que, em 2009, as únicas plataformas aprovadas foram P-61, para Brasfels, em Angra dos Reis (RJ) e P-63, para W.Torre(Rio Grande), mas para o futuro há muito mais por vir.
Destaca que há muitos estaleiros a serem construídos e, com isso, a capacidade anual de processamento irá passar das atuais 600 mil para 900 mil toneladas, com alta de expressivos 50%. Assim, a oferta crescerá, para atender à demanda, sem traumas – assevera.
Hoje, o setor emprega 46 mil pessoas, diretamente, total que pode chegar a 62 mil, no fim de 2010. Desse total 22 mil estão no Rio de Janeiro. Tempo houve em que 96% da construção naval estavam no Rio – mas isso impedia aprovação de benefícios em Brasília. Agora, com grandes estaleiros em Pernambuco, Rio Grande do Sul e futuramente Bahia, Espírito Santo e Ceará, o setor ganha dimensão nacional.
– Para ser competitiva, a construção naval precisa importar aço, uma vez que os preços do mercado interno fogem a qualquer parâmetro – diz Rocha.
– A Construção naval segue em frente. Há alguns armadores estrangeiros, que alegam haver um cartel dos estaleiros, o que não é verdade. No fundo, esses armadores não aprofundam os contatos com estaleiros e apenas anunciam, na imprensa, preços altos dos estaleiros, unicamente para minar o setor. Na verdade, não querem contratar e só tumultuam o sistema.(Fonte: Net Marinha/ Sérgio Barreto Motta)
Segundo Rocha, a construção naval irá crescer porque o mercado é real e sustentável e não induzido, o que lhe garante perenidade, ao menos pelas próximas décadas.
Em meio a tantas boas notícias, um fato que preocupa Rocha é a valorização do real, que reduz a capacidade de competir e de exportar.