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Clippings - 26/06/14

Estaleiros vão crescer 15%, ante “pibinho” de apenas 1,16%

Na era Dilma, o Brasil tem crescido pouco, mas a construção naval continua em boa fase. A economia deverá ter expansão, este ano – segundo o boletim Focus, que é o sentimento de agentes privados colhido pelo Banco Central – de apenas 1,16%, mas os números dos estaleiros serão bem melhores. Informa o presidente do Sindicato Nacional da Construção Naval (Sinaval), Ariovaldo Rocha, que o aumento de produção deverá ser de 15%. Além disso, o setor espera se beneficiar de aumento de 15% na produtividade, medido pela redução do volume homem/hora por tonelagem, que deverá se situar em 200 no fim do ano.

Hoje, o total de empregos diretos é de 79 mil, esperando-se atingir 100 mil em meados de 2015. Em geral, os técnicos multiplicam por cinco para calcular os empregos indiretos, mas Rocha acha que poderia ser por seis: “ Os empregados e suas famílias têm atendimento médico. Acredito que esse contingente de pessoal demanda expansão das empresas que atendem ao setor”, diz, com entusiasmo. Além de muitas expansões, estão sendo ultimados três novos estaleiros: Wilson, Sons no Rio Grande do Sul, Jurong ( de Cingapura) no Espírito Santo e Enseada Paraguassu, na Bahia, dos grupos Odebrecht/UTC/OAS/Kawasaki. Em barcos de apoio, a Petrobras deverá se aproximar em breve de 130 barcos contratados, próximo, portanto, à meta anunciada, de 146 barcos. Nesse caso, a contratação não é direta – como a feita pela Transpetro, de 46 navios – mas a estatal escolhe os operadores por licitação e estes grupos privados encomendam os barcos aos estaleiros.

O presidente do Sinaval elogiou declaração do representante dos armadores – Bruno Lima Rocha, presidente do Syndarma – de que o país precisa ter sua própria marinha mercante. “ Não faz sentido navios brasileiros se limitarem a 2% ou 30% do comércio gerado”, acentua Rocha. Sobre um dos pontos criticados, que é o preço, explica Rocha:

– Não se pode mentir. Tudo no Brasil é mais caro, da energia elétrica ao ferro e ao cimento. Graças ao Fundo de Marinha Mercante, podemos competir em preço com Europa, Estados Unidos e Japão, mas não com a China. Além disso, nenhum economista do mundo sabe se o subsídio chinês é de 1% ou de 200% do preço de cada produto, pois lá não há democracia plena.

Rocha qualifica comentários de que a política de conteúdo nacional poderia ser substituída por importações como um balão de ensaio. Frisa que, exceção feita a sondas, o conteúdo nacional varia de 45% a 70% nos estaleiros, sendo de 62% em navios, conforme dados do Fundo de Marinha Mercante.

O Sinaval está preparando um documento para os presidenciáveis, no qual mostrará os benefícios da política de conteúdo local. Em 2003, os estaleiros mal tinham 5 mil empregados e hoje a realidade é diferente. Atrasos na entrega também ocorrem em Cingapura e China e os estaleiros sabem que, a médio prazo, terão de exportar e ser competitivos para crescer. Para Rocha, o desemprego de 6 mil pessoas em um local como Angra dos Reis (RJ) não é simples dado econômico, mas tem um efeito social devastador na comunidade.

O Governo FHC ajudou a levar os estaleiros a uma situação de penúria. As plataformas eram encomendas na Ásia. Naquela época, a Transpetro lançou o programa “ Navega Brasil”, que chegou a ser chamado de “ Naufraga Brasil”, pois não implicou a encomendar de sequer um navio no país e, ao contrário, propiciou a compra, na Coréia, de duas embarcações. Embora tenham nomes típicos nacionais, “ Ataulfo Alves” e “ Cartola” são “Made in South Corea”.

Rocha irá entregar aos presidenciáveis um caderno com os benefícios da política de conteúdo local, o que será confrontado com opiniões dos que defendem o fim dessa política. No entanto, os estaleiros não estão mais concentrados no Rio de Janeiro, porém espalhados por todo o país e São Paulo, embora não seja forte nesse segmento, é o maior beneficiário com encomendas de fornecedores para navios, por ser líder nacional na indústria de transformação. Além disso, haverá obras em plena realização e dificilmente um governo do PSDB ou PSB poderá cortar os gastos da noite para o dia, principalmente envolvendo comunidade de mais de 100 mil trabalhadores diretos. No Governo FHC, a Secretaria do Tesouro Nacional, usando o termo “contingenciamento”, retirava recursos do FMM, que eram usados para quitação dos juros da dívida interna. Hoje, além de seus próprios recursos, o FMM conta com aportes do Tesouro Nacional.