A Petrobras ainda avalia que modelo adotará para contratação das plataformas previstas para operar a partir de 2023, informou ontem a empresa.
A estatal cogita tanto afretar quanto retomar a contratação de unidades próprias, enquanto ainda se esforça para mitigar os impactos dos atrasos de sua última grande encomenda de plataformas próprias, feita há mais de sete anos atrás.
Nos últimos anos, desde que o projeto de nacionalização das replicantes (plataformas com mesmas características, encomendadas junto aos estaleiros nacionais) foi desmantelado e muitas das obras foram enviadas ao exterior, a Petrobras vem optando pelo afretamento. Essa foi a opção, por exemplo, para os campos de Mero (parte noroeste da área de Libra) e Sépia, ambos no pré-sal da Bacia de Santos, e as duas últimas embarcações contratadas pela companhia.
A indústria naval acompanha os estudos da Petrobras de perto. Em entrevista ao jornal “O Globo”, o diretor de desenvolvimento da produção e tecnologia da Petrobras, Hugo Repsold, disse que a empresa vai mapear a situação dos estaleiros brasileiros e que cogita voltar a contratar no país suas novas unidades.
Vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Naval e Offshore (Sinaval), Sérgio Bacci afirmou que espera que a sinalização dada pela Petrobras, de que cogita voltar a contratar parte de suas plataformas no mercado nacional, se converta em oportunidades de negócios já nos próximos dois anos. Desde a eclosão da Lava-Jato, em meio a atrasos na execução dos projetos e decisão da petroleira de afretar suas plataformas no exterior, os estaleiros brasileiros viram suas encomendas secarem.
“Uma plataforma leva três anos para ser construída. Se a Petrobras tem a intenção de contratar no Brasil [para projetos previstos para a partir de 2023], esperamos que ela seja ágil para colocar essas licitações no mercado”, disse Bacci.
Se optar pela encomenda de unidades próprias, será a primeira contratação do tipo depois do projeto das replicantes, que levaram cerca de sete anos para ficarem prontas.
Os oito cascos das replicantes foram encomendados ao estaleiro Ecovix, da Engevix, em 2010, e as obras de construção e integração dos módulos foram contratadas junto a uma série de estaleiros espalhados por todo o país, a fim de incentivar a indústria naval brasileira.
A expectativa inicial da Petrobras era que todas as oito unidades ficassem prontas em 2017, mas até o momento apenas uma entrou em operação: a P-66, que começou a produzir em 2017, com dois anos de atraso.
“O atraso foi oriundo das mudanças nos projetos que foram feitas no meio do caminho”, defendeu Bacci.
Fonte: Valor Econômico