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Clippings - 07/05/10

Estímulos do governo vão ajudar exportador da RMC

O pacote de estímulo às exportações, divulgado anteontem pelo governo federal, foi bem recebido pelo mercado de uma maneira geral. Na Região Metropolitana de Campinas (RMC), setores tradicionalmente exportadores como as indústrias de autopeças, siderúrgica, têxtil eletroeletrônicos, química e farmacêutica devem ser os primeiros a se beneficiar. Empresas, entidades e especialistas acreditam que as medidas terão efeitos positivos sobre a economia brasileira, mas apontam que ainda existem pontos polêmicos a serem considerados.

O presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-Campinas), Saulo Duarte Pinto Júnior, ressaltou que o pacote é ainda mais importante diante do desaquecimento de mercados importantes para os produtos brasileiros, como a Europa e os Estados Unidos. “Nossa região tem uma balança comercial bastante negativa, porque a quantidade de importações é muito grande. Essa diferença deve diminuir a medida em que o volume de produtos exportados aumentar.”

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT) comemorou os benefícios, principalmente a redução do prazo de devolução de créditos de PIS-Cofins para até 30 dias, já que em alguns casos, atualmente, esse prazo chega a cinco anos. Ainda assim, o presidente da entidade, Aguinaldo Diniz Filho, avaliou que apenas as grandes empresas que estão no lucro real ou presumido serão beneficiadas em relação ao crédito tributário acumulado nas exportações. “Desta forma, a maior parte das 30 mil empresas que compõem o setor têxtil e de confecção brasileiro não serão atendidas pelo incentivo”, observou.

O presidente do Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (Simpi-SP), Jouseph Couri, enumerou três pontos que serão importantes para o setor: o aumento do teto de enquadramento no Simples para R$ 2,4 milhões, a não tributação dos valores exportados e o fim da substituição tributárias para micro e pequenas empresas. “São aspectos muito aguardados e que serão importantes para o desenvolvimento do setor.”

Economista – Para o economista Adauto Roberto Ribeiro, professor da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) e responsável pelo Acompanhamento do Comércio Exterior da RMC, o pacote tem maior efeito de propaganda do que benefícios concretos para a economia. “É importante expandir o tamanho do mercado para exportação, e o principal meio para fazer isso é o câmbio, seguido pela desoneração fiscal. Nesses dois aspectos, o pacote ainda está longe de prever medidas substanciais”, assinalou. Ele também afirmou que existe a necessidade de um programa destinado a criar a cultura exportadora em pequenas e médias empresas por meio de subsídios.

Ribeiro qualificou a criação do banco de fomento EXIM Brasil como o ponto mais importante do pacote, já que o financiamento é importante para se criar o estímulo. “Deve ser adotada uma política que ofereça crédito para a exportação com juros mais baratos do que os que hoje existem no mercado. Essa é uma medida que deve ter eficiência a médio prazo”, enfatizou.

Empresários – Os empresários ainda estão estudando sobre os impactos do pacote lançado pelo governo. A regional de Campinas do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) informou que a entidade deve se manifestar apenas na próxima semana sobre o assunto.

Para o diretor-presidente do Grupo Ibra, Roberto Paducci Camargo, o pacote vai ter efeitos importantes para o mercado. A empresa especializada em tecnologia para agronegócio tem sede em Campinas e exporta cerca de 20% de seus produtos e serviços. “Sem dúvida, ele nos ajuda a seguir pelo caminho e dá mais fôlego para mais investimentos.”

Camargo ressaltou que é importante promover a integração entre o setor produtivo e a pequisa e desenvolvimento. “A integração diferenciada entre as duas áreas ajuda a fomentar a exportação de alto valor agregado”, disse o executivo.

Fim do redutor – Montadora e fornecedor em rota de colisão. O fim do redutor de 40% na alíquota de importação de autopeças, anunciado anteontem pelo governo como parte do pacote de apoio às exportações gerou polêmica entre as montadoras e seus fornecedores de componentes. Prejudicadas pela medida, que vigorava há mais de dez anos, as montadoras reclamam de que os carros de menor volume de produção e com índice maior de conteúdo importado, a maioria modelos de médio porte, perderão a competitividade porque seu custo vai aumentar. O lado beneficiado, as fabricantes de autopeças, defendem que poderão voltar a produzir componentes que foram desnacionalizados por não poderem competir com os importados. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini, diz que há riscos de alguns modelos deixarem de ser produzidos localmente e passarem a ser importados completos. O fim do redutor vai ajudar as autopeças a reduzirem seu déficit na balança comercial, mas pode agravar ainda mais a balança de veículos acabados. No primeiro trimestre, as autopeças acumulam US$ 1,1 bilhão de déficit no saldo entre exportações e importações. Já as montadoras contabilizam saldo negativo de 37,7 mil veículos diante da importação de 191,3 mil carros entre janeiro e abril e de exportação de 153,6 mil carros montados. (Da Agência Estado)

Oportunidade é restrita, diz secretário de Cooperação – Para o secretário municipal de Cooperação Internacional, Romeu Santini, o pacote de estímulos ao comércio exterior lançado pelo governo federal. vai ajudar a aumentar as exportações de Campinas e região, mas as oportunidades deverão se restringir a quem já atua no mercado. “Para quem está querendo começar a exportar é ruim, porque os incentivos são oferecidos apenas para quem exportou pelo menos 30% do faturamento nos últimos dois anos e que seja exportador há quatro anos. Esse é um ponto altamente negativo, já que cria obstáculos de competitividade.” Em tempos em que se discute o aumento das exportações, Santini participou ontem de debate sobre as relações comerciais entre Campinas e os países árabes, no auditório da sede do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). Empresários e autoridades se reuniram para debater oportunidades existentes e as características econômicas, políticas e culturais que influem nos negócios. Segundo Santini, ainda é muito pequena a representatividade da balança comercial entre Campinas e os países árabes, e que o trabalho a ser feito deve desenvolver uma representação efetiva.